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06/03/2019 06:18 Midia News

Noiva do engenheiro assassinado no distrito de Novo Paraná lamenta crueldade do crime

A enfermeira Ana Lúcia Sartori, noiva do engenheiro agrônomo Silas Henrique Palmieri Maia, que foi assassinado no dia 18 de fevereiro, em Porto dos Gaúchos (a 651 km de Cuiabá), diz estar angustiada e inconformada com a crueldade do crime.A enfermeira Ana Lúcia Sartori, noiva do engenheiro agrônomo Silas Henrique Palmieri Maia, que foi assassinado no dia 18 de fevereiro, em Porto dos Gaúchos (a 651 km de Cuiabá), diz estar angustiada e inconformada com a crueldade do crime.
 
O engenheiro de 33 anos foi morto com seis tiros no pescoço e na cabeça por um fazendeiro com quem comercializava defensivos agrícolas.
 
O casal morava junto desde 2018 e preparava para oficializar a relação no final deste ano. Eles ainda planejavam ter filhos e já discutiam a decoração do quarto do bebê.
 
Segundo ela, tem sido uma tarefa árdua falar sobre o ocorrido e relembrar os últimos momentos com o parceiro. No entanto, ela tenta manter-se forte para não deixar a memória do Silas ser esquecida.

“Está difícil. É doloroso dar entrevista. Mas ao mesmo tempo eu não posso me conformar com a crueldade com que o assassino agiu, destruindo a vida do Silas e todos os seus sonhos, os meus e da nossa família. Isto não pode ser esquecido”, afirmou.

Silas Henrique Palmieri Maia e Ana Lúcia Sartori se conheceram em 2016 e viajaram juntos pela América Latina

Após se entregar à Polícia Civil no dia 21 de fevereiro, o fazendeiro Paulo Faruk de Moraes confessou o crime e alegou que estava se sentindo incomodado com a presença da vítima na fazenda dele, mas que não desejava matá-la.

Apesar disso, Ana Lúcia não acredita na versão apresentada pelo suspeito. De acordo com ela, o produtor rural deveria ter procurado a empresa para resolver a questão.

“Pergunto-me porque este assassino não procurou a empresa. E tem outra: para mim nunca haverá explicação ou justificativa que suportem este crime cruel e a vida que foi tirada do Silas”, afirmou a enfermeira.

No último fim de semana em que o casal passou junto, Silas aparentava estar feliz e a enfermeira não notou nenhum comportamento estranho no agrônomo. Ela ainda disse que o noivo nunca recebeu nenhum tipo de ameaça e também não mencionou nenhum problema relacionado ao suspeito.

A noiva conta que Silas sempre teve uma boa relação com os clientes da empresa Agroinsumos, na qual trabalhava há 7 anos, na unidade de Sinop. Alguns até se tornaram amigos do engenheiro.

“O Silas tinha uma postura de tentar entender a situação por diversos ângulos e tentar resolver. Era respeitoso com os clientes e muitos se tornaram amigos. Chegamos até a ir a dois casamentos de clientes que ele atendia”, afirmou.

Agora, a noiva pede que a justiça seja feita. Ela afirma que o caso já está esclarecido e deve ser julgado o quanto antes. Um vídeo de uma câmera de segurança registrou o momento em que Silas é assassinado por trás pelo fazendeiro.

“Me angustia muito saber que uma pessoa que tira a vida da outra de forma cruel, fria e covarde, a qual está documentada em um vídeo, cuja vítima não teve chance alguma de defesa, e confessou o crime, ainda possa ter direitos de defesa”, afirmou Ana Lúcia.

Me angustia muito saber que uma pessoa que tira a vida da outra de forma cruel, fria e covarde, a qual está documentada em um vídeo, cuja vítima não teve chance alguma de defesa, e confessou o crime, ainda possa ter direitos de defesa

Vida a dois

O casal se conheceu no final de 2016, em Sinop. Silas havia se mudado para a cidade logo após se formar na faculdade em busca de uma vida melhor, em 2012.

“ELe veio em busca do sonho de ter sucesso na profissão como eu e muitos jovens fazem. Sempre me dizia que estava feliz aqui porque estava conseguindo realizar seus sonhos pessoais e profissionais. Ele estava crescendo profissionalmente por seu esforço e sua dedicação ao trabalho”, revelou Ana Lúcia.

Introvertida, a enfermeira se encantou pela alegria e o jeito de viver do engenheiro, sempre cercado por amigos. Ela descreve o noivo sempre muito honesto, autêntico, extrovertido, discreto e criativo e também diz que o agrônomo era muito otimista nas adversidades.

“Até quando as coisas davam errado, ele me apontava perspectivas de crescimento com aquelas situações e me dava forças para não desanimar”, descreveu.

Depois de um tempo juntos, com o avançar da relação, ela passou a conhecer u outro lado do namorado que a surpreendeu.

“Fui conhecendo uma pessoa de família simples, que teve uma criação e uma vida parecida com a minha no sentido de que nossas famílias precisaram batalhar muito para nos garantir a oportunidade de realizar um curso superior”, disse.

O casal morava junto desde abril do ano passado, mas passou a residir na nova casa, que Silas construiu, há pouco tempo. Os dois tinham um grande orgulho da residência ainda não terminada.

“É muito difícil saber que ele só pôde morar na casa que tanto batalhou para construir por tão pouco tempo. Muitas coisas na casa ainda estão para terminar. E isso ele nunca poderá finalizar”, lamentou a noiva.

Os dois também planejavam se casar no final deste ano, ter filhos e viajar. Porém, tudo isso se desmanchou em um dia.

“No último domingo que passamos juntos, depois de preparar nosso café da manhã, ficamos conversando sobre como seria a decoração do quarto da criança. [...]Tudo acabou”, disse.

De fusca na estrada

Silas sempre teve a ideia de viajar pelo mundo com um fusca, o “Fusca Bora Lá”. Quando compartilhou o projeto com a namorada, ela ficou empolgada, mas teve receio no começo.

O projeto "Fusca Bora Lá" era um sonho do agrônomo

“Pensei que seria muito difícil, porém o Silas sempre me mostrou o lado bom da viagem e da aventura. E então ele me convenceu a embarcar no projeto com ele”, revelou a enfermeira.

Ana Lúcia contou que eles começaram a se preparar em 2017 e colocaram o pé na estrada em 14 de junho de 2018. No itinerário estavam Machu Picchu, Lago Titicaca, salar de Uyuni e deserto do Atacama. 

No entanto, como a enfermeira só conseguiu 15 dias de férias, ela conseguiu acompanhar Silas em Machu Picchu e no lago, mas ele continuou sozinho e conseguiu chegar até o salar. 

“Infelizmente o fusca começou a ter problemas e ele não teve chance de conhecer o deserto do Atacama”, relatou.

No total, ele passou cerca de 25 dias em viagem e rodou mais de 10 mil Km com o fusca. A viajem foi toda registrada pelo Facebook e Instagram do projeto.


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