Hosp. e Mat. São Lucas de Juara promoveu palestra para médicos sobre como a inteligência artificial está transformando a medicina

Na noite da última sexta-feira, dia 13 de março, o Hospital e Maternidade São Lucas de Juara promoveu uma palestra voltada à inovação na área médica, reunindo cerca de 50 profissionais da saúde no Espaço Gold. O convidado foi o médico radiologista Giancarlo Domingues, que abordou o tema “O Médico Híbrido”, discutindo como a inteligência artificial vem transformando a prática médica e ampliando as possibilidades de diagnóstico e atendimento. Após a apresentação, também foi servido um coquetel aos participantes.

Durante entrevista concedida à reportagem da Rádio Tucunaré, Domingues explicou que o objetivo da palestra foi esclarecer de forma prática como a inteligência artificial já está interferindo na medicina e desfazer uma ideia equivocada que ainda circula no meio profissional: a de que a tecnologia substituiria os médicos.

Segundo ele, o cenário mais provável é justamente o contrário. A inteligência artificial tende a ampliar a capacidade de trabalho do profissional, funcionando como uma ferramenta de apoio ao raciocínio médico.

De acordo com o especialista, a tecnologia pode ser comparada a um colega experiente que tem acesso a uma enorme base de conhecimento científico e que pode ajudar o médico em momentos de dúvida. No entanto, a decisão final sobre diagnóstico e tratamento continua sendo sempre do profissional humano, que permanece responsável pela análise crítica e pela condução do caso clínico.

O conceito do “médico híbrido”

Um dos principais conceitos apresentados na palestra foi o do médico híbrido, profissional que combina a formação médica tradicional com o uso de ferramentas digitais avançadas, incluindo inteligência artificial.

Giancarlo Domingues destacou que, para atuar nesse novo cenário, o médico precisa preservar duas competências fundamentais: capacidade clínica e pensamento crítico. A inteligência artificial pode auxiliar na análise de dados, mas não substitui habilidades humanas como julgamento clínico, empatia e comunicação com o paciente.

Segundo ele, mesmo sendo extremamente poderosa, a tecnologia pode cometer erros. Por isso, a validação final das informações precisa sempre passar pelo médico, que analisa o contexto do paciente e decide o melhor caminho terapêutico.

Como utilizar a inteligência artificial na prática médica

Durante o encontro, muitos médicos presentes demonstraram interesse em aprender como utilizar a inteligência artificial no dia a dia da profissão. Um dos pontos discutidos foi a forma correta de fazer perguntas para essas ferramentas — processo conhecido como “prompt”.

Domingues explicou que a qualidade da resposta depende diretamente da qualidade das informações fornecidas pelo usuário. Quanto mais contexto e dados clínicos forem informados à inteligência artificial, mais útil tende a ser a resposta apresentada.

Ele também orientou que, no caso da prática médica, o ideal é utilizar plataformas de inteligência artificial treinadas especificamente com dados médicos validados, evitando sistemas que utilizem informações sem curadoria científica.

A inteligência artificial não substitui médicos

Durante a entrevista, o especialista citou previsões feitas no passado que apontavam que a inteligência artificial substituiria radiologistas. Segundo ele, dez anos depois dessas previsões, a realidade mostrou um cenário completamente diferente.

Hoje existe, inclusive, escassez de radiologistas em diversas regiões do mundo, incluindo países desenvolvidos como Estados Unidos e nações europeias.

Para Domingues, o erro dessas previsões foi considerar apenas uma parte da atividade médica. A interpretação de exames envolve análise clínica, comunicação com outros médicos, discussão de hipóteses diagnósticas e contextualização das informações dentro da realidade do paciente.

Diferenças entre gerações de médicos

Outro ponto abordado foi a relação das diferentes gerações de médicos com a inteligência artificial.

Segundo o radiologista, médicos mais jovens tendem a lidar com essas ferramentas de forma mais natural, já que tiveram contato com tecnologias digitais durante a formação acadêmica. Já profissionais mais experientes demonstram maior preocupação com os impactos da tecnologia na profissão.

Na avaliação dele, o caminho mais adequado é buscar conhecimento e aprender a utilizar essas ferramentas de forma estratégica, transformando a tecnologia em aliada da prática médica.

Aplicações práticas no atendimento

Entre as aplicações já disponíveis na área da saúde estão ferramentas capazes de auxiliar na organização de prontuários médicos, análise de dados clínicos e até mesmo na transcrição automática de consultas.

Com esse tipo de recurso, o médico pode manter uma conversa mais fluida com o paciente enquanto o sistema registra automaticamente as informações relevantes da consulta, reduzindo tarefas repetitivas e aumentando o tempo dedicado ao atendimento humano.

Trajetória profissional do palestrante

Giancarlo Domingues possui atuação destacada na área de inovação médica. Atualmente exerce a função de Head Médico de Inovação em Diagnóstico por Imagem e Patologia (B2B) no grupo DASA – Diagnósticos da América, um dos maiores grupos de medicina diagnóstica da América Latina, onde desenvolve projetos voltados à modernização tecnológica dos serviços de diagnóstico.

Ele também é fundador da startup GrifoLabs, dedicada à transformação digital na saúde e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor, além de atuar como gestor médico da plataforma Lumiax, especializada em serviços de radiologia e emissão de laudos médicos à distância por meio de teleradiologia.

Sua atuação clínica é voltada principalmente à radiologia musculoesquelética, área dedicada ao diagnóstico por imagem de ossos, articulações e lesões esportivas por meio de exames como ressonância magnética, tomografia, radiografia e ultrassonografia.

Ao longo da carreira, Domingues tem se dedicado também a projetos envolvendo inteligência artificial aplicada à radiologia, telemedicina e digitalização de processos médicos.

O médico participa ainda de importantes entidades científicas da especialidade, entre elas a Sociedade Paulista de Radiologia (SPR), a Radiological Society of North America (RSNA), a European Society of Radiology (ESR) e o Royal College of Radiologists (RCR) do Reino Unido.

Mensagem final aos médicos

Ao final da entrevista, o especialista deixou uma orientação aos profissionais da área da saúde: encarar a inteligência artificial como aliada e não como ameaça.

Segundo ele, o domínio dessas ferramentas pode ampliar a produtividade do médico e contribuir para elevar a qualidade média do atendimento prestado aos pacientes.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Noticias

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