Prefeito Valdinei Holanda Moraes, o “Ney da Farmácia”, em gravação enviada a redação da Rádio tucunaré e site Acesse Notícias, na tarde desse dia 16, disse que já está com as respostas da CPI da Saúde em mãos e que vai estudar o relatório com a equipe antes de apresentar esclarecimentos à sociedade e aos órgãos de controle, afirmando que “não tenho nada a esconder” e que está pronto para responder à Justiça e ao Ministério Público.
Contexto da entrevista e posicionamento inicial
Na entrevista, o prefeito explica que ele e o vice-prefeito Léo estavam em Cuiabá em agenda oficial, voltada a projetos e tratativas para 2026, e por isso não acompanharam presencialmente a leitura do relatório final da CPI durante a sessão. Segundo ele, a leitura foi acompanhada “à distância”, mas ressalta que o conteúdo não se resumiria ao que foi apresentado no plenário e que pretende analisar “com calma” antes de responder formalmente.
Ele também afirma que antecipou o retorno a Juara, relatando saída de Cuiabá na quinta-feira, chegada à meia-noite e retomada do trabalho na sexta-feira, destacando que estaria disponível para prestar esclarecimentos.
Resposta a críticas de “inércia” e alegação de que não houve omissão
Questionado sobre apontamentos de que a Prefeitura teria ficado inerte, o prefeito diz que, quando a primeira irregularidade chegou ao conhecimento da gestão, houve providências imediatas, com afastamento de profissional e abertura de sindicância. Ele argumenta que, diante de denúncia, não é possível “demitir” sem procedimento, porque a lei exige apuração e respeito ao servidor público.
Ainda segundo o prefeito, a CPI teria “vindo de encontro” à sindicância já aberta, funcionando como continuidade das apurações, e reforça que medidas foram tomadas “na hora” sempre que a gestão teve ciência dos fatos, sem expor pessoas publicamente.
Mudanças internas e promessa de medidas “doa a quem doer”
O prefeito afirma que houve mudanças de pessoas e setores dentro da estrutura da saúde municipal e diz que quem “não estava fazendo o acordo” foi retirado, reiterando que não teria ocorrido omissão. Ele acrescenta que, com o relatório da CPI em mãos, pretende trabalhar “junto com o Ministério Público” para dar sequência às decisões.
Planos anunciados: “fila zero”, especialistas e criação de UTI com organização social
Entre as propostas destacadas, o prefeito diz que a administração já trabalha para avançar em uma política de “fila zero” para cirurgias e ampliação de especialistas.
Também menciona a intenção de trazer uma organização social para viabilizar a criação de uma UTI em Juara, alegando necessidade de “retaguarda” hospitalar para que procedimentos aconteçam com segurança.
Regulação, exames e promessa de fim de “atalhos”
Outro ponto citado é a regulação do atendimento. O prefeito menciona problemas históricos como espera por tomografia e ultrassom e afirma que situações como “passar na frente” ou perda de material não deveriam ocorrer, dizendo que isso “vai acabar” com a regulação funcionando.
A entrevista também aborda material humano e exames específicos
Ao ser questionado sobre apontamentos do relatório envolvendo material humano encontrado no Hospital Municipal sem destinação adequada, o prefeito diz que fica “feliz” por entender que o problema teria sido corrigido e afirma que, em 2025, não teria havido problema com teste do pezinho.
Ele ainda comenta sobre biópsias, dizendo que teria ocorrido “uma única” situação, e sugere estranheza diante do aparecimento pontual do caso, afirmando que não estava “dentro da secretaria” e acompanhava de forma geral.
Plantões médicos, pagamentos e apontamentos de irregularidades
Na sequência da entrevista, o prefeito aborda a questão dos plantões médicos apontados no relatório da CPI como possivelmente pagos sem a devida comprovação. Ele afirma que todas as informações serão analisadas com responsabilidade e que, se houver erro administrativo, será corrigido. Reforça que não compactua com irregularidades e que a gestão não teria autorizado pagamentos indevidos de forma consciente.
Segundo o prefeito, a dinâmica hospitalar envolve escalas, substituições e sobreavisos, o que pode gerar interpretações divergentes quando analisadas fora do contexto operacional. Ele sustenta que, caso seja comprovada falha documental ou administrativa, as medidas legais cabíveis serão adotadas, inclusive com eventual responsabilização.
Medicamentos, insumos e organização administrativa
Outro ponto tratado foi a questão de medicamentos e insumos hospitalares. O prefeito afirma que a saúde pública enfrenta desafios estruturais antigos, inclusive problemas herdados de gestões anteriores, mas que a atual administração buscou reorganizar estoques, fluxos e controles internos. Ele menciona mudanças de secretários e ajustes na equipe técnica como parte desse processo de reestruturação.
De acordo com a fala do prefeito, as trocas na Secretaria de Saúde ocorreram justamente para melhorar a gestão e corrigir falhas administrativas. Ele sustenta que nenhuma irregularidade teria sido acobertada e que a intenção da gestão sempre foi “corrigir o que estivesse errado”.
Modelo de contratação médica e organização social
A entrevista também trata da contratação de médicos e da possibilidade de ampliação do modelo por meio de organização social. O prefeito argumenta que municípios de médio porte enfrentam dificuldade para fixar especialistas, principalmente em regiões distantes dos grandes centros. Segundo ele, o modelo de organização social poderia trazer maior agilidade administrativa e garantir atendimento especializado com mais estabilidade.
Ele defende que a implantação de uma UTI e a ampliação de especialistas exigem estrutura, retaguarda e modelo de gestão mais eficiente, afirmando que a proposta está sendo estudada tecnicamente e que será apresentada com transparência.
Responsabilização e relação com Ministério Público
O prefeito declara que, com o relatório da CPI concluído, caberá agora ao Ministério Público e à Justiça analisarem os fatos e decidirem sobre eventuais medidas legais. Ele afirma estar tranquilo quanto à própria conduta e diz que responderá a todos os questionamentos dentro do devido processo legal.
Em sua manifestação, reforça que não teme investigação, sustenta que a gestão agiu dentro da legalidade e que eventuais erros administrativos não configurariam, necessariamente, dolo ou má-fé.
Discurso sobre “erros históricos” e reorganização da saúde
Encerrando a entrevista, o prefeito argumenta que muitos dos problemas apontados seriam reflexo de desorganizações históricas no sistema municipal de saúde. Ele afirma que a atual administração vem tentando reorganizar fluxos, regular atendimentos e implantar protocolos mais rígidos para evitar falhas futuras.
O chefe do Executivo sustenta que a meta é garantir maior transparência, reduzir filas e impedir privilégios indevidos na regulação de exames e procedimentos. Reitera que a prioridade seria melhorar o atendimento à população e afirma que as conclusões da CPI servirão como instrumento para ajustes administrativos.
A reportagem da Radio Tucunaré e site acesse notícias apurou que o prefeito afirmou estar aberto ao diálogo institucional e disposto a colaborar com os órgãos de controle, destacando que qualquer decisão futura dependerá da análise técnica e jurídica das instâncias competentes.




































































