A perspectiva de uma estiagem mais severa em Mato Grosso nos próximos meses ganhou um novo alerta das autoridades estaduais. O secretário-adjunto de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso, coronel Marcelo Augusto Revelles, afirmou que as análises realizadas pelo órgão para os próximos 90 dias apontam um comportamento do El Niño diferente no Estado em comparação com outras regiões do Brasil.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que a preocupação está principalmente relacionada à possibilidade de redução das chuvas, agravamento da estiagem e consequentes problemas no abastecimento de água, além do aumento das dificuldades para animais, propriedades rurais e população urbana.
A Rádio Tucunaré já vem acompanhando e reportando os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre Mato Grosso e, agora, o posicionamento da Defesa Civil reforça a necessidade de preparação antecipada dos municípios.
Segundo Revelles, enquanto em outras partes do país o fenômeno pode estar relacionado a chuvas intensas e vendavais, a projeção considerada pela Defesa Civil para Mato Grosso é diferente.
“Aqui é o contrário. Aqui a estiagem vai ser mais severa.”
O secretário-adjunto afirmou que a Defesa Civil se dedicou a estudar como o fenômeno deverá atuar no território mato-grossense durante os próximos três meses. Diante desse cenário, a recomendação é para que as administrações municipais não aguardem o agravamento da situação para começar a agir.
“É importante que os municípios, através das suas Defesas Civis municipais e prefeituras, ajam de maneira preventiva para que uma crise hídrica muito grave não afete os animais da sua região e as pessoas como um todo”, destacou.
Alerta também envolve avanço dos incêndios
Além da preocupação com a falta de chuva e disponibilidade de água, a estiagem severa aumenta o risco relacionado aos incêndios florestais e queimadas, outro problema que já exige mobilização das estruturas estaduais.
Revelles classificou as queimadas como um dos principais desastres enfrentados em Mato Grosso e explicou que existe um trabalho integrado entre Corpo de Bombeiros Militar e Defesa Civil.
Embora o Estado tenha conseguido reduzir focos de incêndio em determinadas situações, o coronel reconheceu que o fogo continua provocando prejuízos.
“Mesmo assim, os incêndios continuam avançando e trazendo muitos prejuízos às pessoas e aos animais, à fauna e à flora também.”
De acordo com ele, quando há necessidade de apoio aéreo no combate aos incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros aciona a Defesa Civil, que disponibiliza aeronaves para atender as ocorrências em diferentes regiões de Mato Grosso.
Revelles afirmou que a estratégia tem possibilitado respostas mais rápidas.
“A despeito do avanço dos incêndios, nós conseguimos, de maneira rápida, fazer o controle e a mitigação desse fenômeno.”
Municípios são considerados fundamentais
Outro ponto enfatizado pelo secretário-adjunto é que a prevenção não pode depender somente da estrutura estadual.
Revelles explicou que o município é um dos principais elos do sistema de Defesa Civil, justamente porque é na esfera municipal que os problemas aparecem primeiro e onde estão disponíveis as informações mais detalhadas sobre vulnerabilidades locais.
“O elo do município é fundamental porque é no município que as coisas acontecem.”
Segundo ele, uma Coordenadoria Municipal de Defesa Civil bem estruturada permite manter um histórico das ocorrências, identificar os pontos de maior vulnerabilidade e apresentar ao Estado informações que podem direcionar recursos e medidas de prevenção.
Esse acompanhamento pode ser especialmente importante diante de uma estiagem prolongada, já que os impactos não são iguais em todas as regiões. Municípios com dificuldades de abastecimento, comunidades rurais isoladas, propriedades dependentes de pequenas fontes de água e locais historicamente atingidos pelo fogo podem exigir estratégias específicas.
Cerca de 30% dos municípios ainda não possuem estrutura
Um dado apresentado por Revelles chama atenção: aproximadamente 30% dos municípios de Mato Grosso ainda não possuem uma Coordenadoria Municipal de Defesa Civil estruturada.
De acordo com o secretário-adjunto, o Estado já entrou em contato com os prefeitos desses municípios para estimular a indicação dos coordenadores responsáveis.
A Defesa Civil Estadual também mantém articulação com a Associação Mato-grossense dos Municípios para ampliar essa estrutura.
“Já fizemos os contatos com todos esses prefeitos”, afirmou Revelles.
O objetivo é fazer com que cada município tenha condições de identificar seus próprios riscos e estabelecer uma comunicação direta com o Estado, especialmente durante situações de emergência.
Prevenção passa a ser palavra de ordem
O alerta ocorre justamente em um período em que Mato Grosso precisa conciliar duas preocupações diretamente relacionadas: a possibilidade de uma estiagem mais intensa e o risco de ampliação dos incêndios florestais.
Para os municípios do interior, onde o abastecimento também pode depender de nascentes, poços, rios e pequenas estruturas locais, a preparação antecipada pode representar a diferença entre administrar os impactos da estiagem ou enfrentar uma situação emergencial.
A mensagem da Defesa Civil é clara: não é necessário esperar faltar água ou o fogo avançar para começar o planejamento.
Com uma projeção voltada aos próximos 90 dias, o órgão estadual orienta os municípios a fortalecerem suas estruturas locais, identificarem antecipadamente seus pontos vulneráveis e manterem planos de resposta preparados para um eventual agravamento da seca.

























































