El Niño “ultra” acende alerta: o que você precisa saber sobre os impactos no Vale do Arinos

Imagem gerada por IA

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que o El Niño 2026/2027 exige atenção especial em Juara, no Vale do Arinos e em outras áreas do Norte de Mato Grosso. Entre agosto deste ano e o início de 2027, o fenômeno poderá contribuir para temperaturas mais elevadas, baixa umidade do ar, aumento do risco de queimadas e maior irregularidade na distribuição das chuvas.

Para o setor produtivo, uma das principais preocupações não está necessariamente na quantidade total de chuva acumulada em cada mês, mas na forma como essas precipitações poderão se distribuir ao longo da estação chuvosa. Isso significa que poderão ocorrer chuvas fortes seguidas de períodos prolongados de calor e tempo seco, situação capaz de afetar pastagens, soja, milho e pecuária.

Agosto: calor, seca e queimadas exigem atenção imediata

Agosto apresenta risco muito alto para Juara e região. O período já faz parte da estação seca e as condições de baixa umidade, vegetação ressecada e temperaturas elevadas aumentam significativamente a preocupação com incêndios.

Entre os principais efeitos estão:

  • Pecuária: perda de qualidade das pastagens, maior necessidade de suplementação e atenção à disponibilidade de água;
  • Agricultura: solo seco e inadequado para antecipar o plantio das culturas de verão;
  • Queimadas: risco elevado devido à combinação entre vegetação seca, calor e baixa umidade;
  • População: aumento do desconforto térmico, poeira, fumaça e problemas provocados pelo ar muito seco.

O cuidado também deve ser redobrado com chuvas isoladas. Uma precipitação pontual não significa necessariamente que a estação chuvosa tenha se estabelecido definitivamente.

Setembro pode ser um dos períodos mais críticos

Setembro normalmente reúne condições favoráveis a calor muito intenso, umidade extremamente baixa e vegetação seca. Em 2026, o período coincide ainda com o fortalecimento do El Niño.

Em Juara, episódios com temperaturas próximas ou superiores aos 40°C são climaticamente possíveis, embora não seja possível determinar antecipadamente quais dias alcançarão essas marcas.

Para a pecuária, propriedades muito dependentes de pastagens naturais podem enfrentar maior dificuldade. Água, sombra e suplementação alimentar ganham importância nesta fase.

Na agricultura, começa a expectativa pela volta das chuvas, mas existe um risco importante: precipitações fortes e isoladas podem estimular o produtor a iniciar o plantio e serem seguidas por uma sequência de dias secos.

O risco de incêndios também permanece elevado, principalmente quando se combinam vento, calor intenso e baixa umidade.

Outubro: chuva pode voltar, mas irregularidade preocupa

Outubro representa uma fase decisiva para a implantação da safra 2026/2027.

Não é possível afirmar com segurança que o El Niño provocará necessariamente atraso das chuvas em Juara. O alerta tecnicamente mais adequado é para maior irregularidade na frequência e na distribuição das precipitações no norte do Centro-Oeste.

Isso significa que a região poderá receber boas pancadas de chuva e até apresentar acumulados expressivos, mas ainda assim enfrentar intervalos prolongados sem precipitação.

Atenção especial à soja

Antes da semeadura, o produtor deverá observar:

  • umidade adequada do solo;
  • previsão de continuidade das chuvas;
  • condições específicas da propriedade;
  • janela de plantio estabelecida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o ZARC.

As primeiras chuvas também favorecem a recuperação das pastagens, mas períodos muito quentes e novas interrupções das precipitações podem retardar a rebrota.

Novembro: risco de veranicos entra no radar

Com o El Niño se fortalecendo, novembro poderá trazer uma preocupação importante para Juara e o Vale do Arinos: a má distribuição das chuvas.

Na prática, poderá ocorrer uma situação como:

chuva forte → vários dias secos → nova chuva → novo período de calor.

Esse comportamento é especialmente preocupante para lavouras recém-estabelecidas.

Na soja, intervalos secos que coincidam com fases sensíveis do desenvolvimento podem provocar estresse hídrico. Nas pastagens, a tendência é de recuperação à medida que as chuvas avancem, enquanto na pecuária o aumento do capim poderá aliviar a pressão alimentar, embora o calor continue exigindo atenção.

Dezembro pode coincidir com o auge do El Niño

As projeções apontam o período entre outubro e dezembro de 2026 como uma das fases de maior intensidade do fenômeno.

Para o Norte de Mato Grosso, entretanto, o principal sinal de atenção continua sendo a irregularidade das precipitações, e não uma previsão automática de seca generalizada.

Em dezembro, parte das lavouras de soja poderá estar entrando em fases importantes de desenvolvimento. Caso ocorram veranicos associados a temperaturas muito elevadas, aumenta a necessidade de acompanhamento das condições de umidade do solo.

As pastagens devem apresentar maior recuperação, enquanto rios, córregos e reservatórios começam a responder ao avanço da estação chuvosa. Essa recuperação, porém, dependerá dos volumes efetivamente registrados nas respectivas bacias.

Janeiro de 2027: El Niño não significa ausência de chuva

Um ponto importante precisa ser esclarecido: El Niño não significa que janeiro será seco em Juara.

Janeiro normalmente está inserido no período chuvoso do Norte de Mato Grosso. O risco apontado para a região está relacionado principalmente à irregularidade das precipitações e às temperaturas mais elevadas.

Assim, podem ocorrer sequências de chuva intensa alternadas com períodos quentes e secos.

Para a soja, eventuais veranicos precisam ser acompanhados conforme o estágio de desenvolvimento da cultura. Para a pecuária, a maior disponibilidade de pastagens tende a melhorar a alimentação dos animais, mas o estresse térmico ainda pode permanecer.

Chuvas concentradas também podem provocar problemas em estradas rurais e acessos às propriedades, mesmo quando o acumulado mensal não estiver excepcionalmente elevado.

Fevereiro: atenção passa também para o milho safrinha

O El Niño ainda poderá estar atuando no início de 2027.

Em fevereiro, enquanto muitas áreas avançam na colheita da soja, aumenta a atenção para a implantação do milho segunda safra.

Nesse período, o comportamento das chuvas pode ter efeitos diferentes. Precipitação excessiva poderá atrasar operações de colheita, enquanto períodos secos podem facilitar o trabalho das máquinas.

Para o milho safrinha, entretanto, torna-se fundamental observar quando a soja foi retirada da área e em que momento o milho será semeado, respeitando as janelas indicadas pelo ZARC.

Março: previsão fica mais incerta

A partir de março de 2027, aumenta consideravelmente a incerteza das projeções climáticas.

Mesmo que o El Niño ainda apresente influência, outros fatores atmosféricos e oceânicos passam a ter peso importante, entre eles as condições do Atlântico Tropical e a própria variabilidade natural do clima.

Para o milho safrinha, o período merece atenção porque o desenvolvimento da cultura dependerá da continuidade das chuvas.

Quanto mais tardia for a implantação, maior poderá ser a exposição da lavoura à redução progressiva das precipitações com a aproximação do final da estação chuvosa.

Quatro riscos merecem atenção especial no Vale do Arinos

Considerando o cenário apresentado para os próximos meses, quatro pontos se destacam para Juara e região:

  1. Calor muito intenso entre agosto e outubro, com possibilidade de temperaturas elevadas também durante a primavera e o verão;
  2. Queimadas e incêndios principalmente em agosto e setembro, favorecidos pela vegetação seca e baixa umidade;
  3. Irregularidade das chuvas na implantação da safra 2026/2027, com reflexos principalmente sobre soja, pastagens e posteriormente milho;
  4. Possibilidade de veranicos durante a estação chuvosa, com períodos secos entre episódios de precipitação.

Chuva irregular é diferente de seca

Esse é um dos pontos mais importantes para compreender o impacto do El Niño no Norte de Mato Grosso.

Não é tecnicamente correto afirmar antecipadamente que “Mato Grosso terá seca por causa do El Niño”.

Para Juara e o Vale do Arinos, o cenário que exige acompanhamento é principalmente de temperaturas mais elevadas e possibilidade de maior irregularidade na frequência e na distribuição das chuvas.

Na prática, um mês poderá terminar com quantidade razoável de precipitação e, mesmo assim, apresentar uma distribuição ruim para a agricultura.

É justamente essa alternância entre chuva, calor e períodos secos que produtores rurais e moradores deverão acompanhar com mais atenção durante a safra 2026/2027.

 

 

Fonte do conteúdo analisado: informações reunidas no material encaminhado, com referências a INMET, INPE/CPTEC, NOAA e MAPA.

Fonte: Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias

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