Há 27 anos servindo solidariedade: Sopão Fraterno alerta para dificuldades financeiras e pede apoio da comunidade

“Se parar para pensar nas dificuldades, a gente desanima. Mas sempre aparece o necessário.” A frase do presidente da Associação Espírita Beneficente Eurípedes Barsanulfo, Anacleto Giraldelli, resume a história de uma entidade que há quase três décadas transforma solidariedade em alimento, acolhimento e esperança para centenas de famílias de Juara.

Durante entrevista concedida à Rádio Tucunaré FM nesta quinta-feira (12), Anacleto abriu as portas da realidade vivida pelo conhecido Sopão Fraterno, trabalho social que atende semanalmente cerca de 200 pessoas e que hoje enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória.

Segundo ele, a instituição acumula despesas mensais em torno de R$ 9 mil, enquanto a principal fonte de renda — o bazar beneficente realizado mensalmente — arrecada entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, valor insuficiente para cobrir todos os custos.

“Hoje temos recursos para manter as atividades por apenas mais dois meses”, revelou o dirigente, ao destacar a necessidade urgente de novas ações e campanhas para garantir a continuidade dos trabalhos.

Muito mais que uma sopa

Quem conhece o Sopão Fraterno sabe que o projeto vai muito além da distribuição de alimentos.

A associação mantém atividades de convivência, recreação, orientação e acolhimento para aproximadamente 50 crianças cadastradas. Aos domingos, elas participam de momentos de evangelização, brincadeiras, música e recebem café da manhã.

“Não é apenas uma sopa. É um lugar onde as crianças recebem atenção, carinho e convivência saudável”, destacou Anacleto.

Recentemente, a entidade também passou a sediar o projeto da Polícia Militar Ambiental Mirim, que oferece aulas de disciplina, educação ambiental e cidadania para dezenas de crianças todas as quartas-feiras.

Uma história construída com perseverança

A trajetória começou em 9 de maio de 1999, quando um pequeno grupo de voluntários iniciou o atendimento de 28 crianças em uma área improvisada sob árvores e lonas.

As dificuldades eram enormes.

“Quando chovia era uma correria. Ficamos quase dois anos trabalhando debaixo de lona preta”, recordou.

Hoje, a associação possui sede própria no bairro Porto Seguro, campo society, espaço para atividades esportivas e continua ampliando sua estrutura, graças ao trabalho voluntário e às doações recebidas ao longo dos anos.

O pão nosso de cada sábado

Entre as necessidades mais urgentes está a obtenção de doadores para o fornecimento de pães.

Segundo Anacleto, somente entre o sopão e o café da manhã das crianças são consumidos cerca de 240 pães por semana.

“Eles adoram pão. Às vezes brigam por causa do pão”, comentou, demonstrando a importância desse alimento simples para as famílias atendidas.

Solidariedade que transforma vidas

Um dos aspectos mais emocionantes do trabalho, segundo o presidente, é perceber que muitas pessoas que um dia precisaram de ajuda retornam posteriormente para ajudar outras famílias.

A experiência, segundo ele, cria uma corrente de solidariedade que se multiplica dentro da comunidade.

“É dando que se recebe. Toda vez que fazemos algo por uma criança, estamos fazendo por Jesus”, afirmou.

Comunidade é convidada a participar

A associação recebe doações de roupas, calçados, alimentos, materiais diversos e contribuições financeiras espontâneas. Os itens arrecadados abastecem o bazar beneficente e ajudam a manter os projetos sociais em funcionamento.

Apesar das dificuldades atuais, Anacleto mantém a esperança que o acompanha desde o início da caminhada.

“São 27 anos. Muitas vezes eu me pergunto como conseguimos chegar até aqui. Mas sempre apareceu a ajuda necessária. E acredito que continuará aparecendo.”

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que a diretoria da entidade estuda novas promoções beneficentes para arrecadar recursos e garantir a continuidade das ações desenvolvidas junto às crianças e famílias atendidas em Juara.

“Fora da caridade não há salvação.” Com essa mensagem, Anacleto encerrou a entrevista, reforçando o convite para que a comunidade continue apoiando um trabalho que, há quase três décadas, leva alimento, dignidade e esperança a quem mais precisa.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

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