Em entrevista à Rádio Tucunaré, secretário Dirceu Fulber detalhou os trabalhos realizados nas estradas rurais, a instalação de bueiros, a coleta de lixo, o combate a incêndios e os desafios enfrentados pela pasta
A Secretaria Municipal de Infraestrutura de Porto dos Gaúchos mantém diferentes frentes de trabalho para melhorar as condições das estradas rurais, substituir pontes de madeira, recuperar bueiros, apoiar pequenos produtores e atender às demandas de limpeza urbana. As informações foram apresentadas pelo secretário municipal de Infraestrutura, Dirceu Fulber, durante entrevista concedida na sexta-feira, dia 21 de agosto, ao programa institucional “De Frente com o Prefeito”.
Durante a entrevista, o secretário explicou que a extensão da malha viária rural e o crescimento das atividades econômicas fazem com que a demanda por manutenção seja permanente. As estradas são utilizadas não apenas para o escoamento da produção agropecuária, mas também pelo transporte escolar, ambulâncias, veículos de serviços públicos, moradores das comunidades e pessoas de outros municípios.
A reportagem da Rádio Tucunaré e do site Acesse Notícias apurou que a estratégia adotada pela Secretaria de Infraestrutura é concentrar as equipes e os equipamentos em uma rota por vez. A intenção, segundo Dirceu, é executar uma recuperação mais completa, incluindo patrolamento, levantamento da pista, aterros, abertura de saídas para a água e substituição de bueiros e pontes, antes de transferir as máquinas para outra região.
“Não vou falar que está 100%, porque ainda existem algumas demandas. Estamos planejando e nos organizando para atender às necessidades para que as pessoas possam trafegar”, afirmou o secretário.
Mais de 20 pontes e travessias foram substituídas
Um dos principais trabalhos realizados pelo município é a substituição de antigas pontes de madeira por estruturas com tubos metálicos corrugados. Conforme Dirceu, os equipamentos utilizados têm aproximadamente 2,5 metros de diâmetro e 12 metros de comprimento e foram recebidos por intermédio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, a Sinfra.
De acordo com a estimativa apresentada pelo secretário, mais de 20 pontes e pequenas travessias já foram eliminadas e substituídas por bueiros ou tubos de maior capacidade.
Dirceu explicou, entretanto, que a demanda ainda é elevada, pois o município possui numerosos córregos e pontos de travessia. Cada local exige avaliação própria, considerando a largura do curso d’água, o volume de chuva, a força da correnteza e o trânsito de veículos pesados.
Segundo o secretário, aproximadamente 70% das situações relacionadas às pontes danificadas e aos bueiros já estariam em condição considerada tranquila ou trafegável. O percentual foi apresentado como uma estimativa durante a entrevista e não como levantamento técnico consolidado.
As chuvas intensas registradas no último período provocaram danos em diferentes regiões do município. Em alguns locais, a força da água deslocou pontes e comprometeu bueiros. Apesar das dificuldades, Dirceu afirmou que as equipes conseguiram restabelecer o tráfego depois da redução do nível da água e que nenhuma região permaneceu isolada por um período prolongado.
Tubos são considerados mais rápidos e econômicos
Para a Secretaria de Infraestrutura, a instalação de tubos corrugados tem sido uma alternativa mais rápida e economicamente viável do que a construção de pontes de concreto. Esses tubos são colocados no leito do córrego e cobertos com aterro, reduzindo o tempo de execução e a necessidade de estruturas mais complexas.
O secretário não descartou a construção de pontes de concreto em pontos nos quais os tubos não sejam suficientes. Ele lembrou que, na estrada dos 12 quilômetros, que dá acesso à comunidade São João, o próprio município já executou estruturas de concreto, com apoio de moradores e produtores da região.
As pontes de madeira continuam recebendo manutenção quando necessário. O maior obstáculo, segundo Dirceu, é conseguir madeira legalizada e adequada, especialmente pranchas de grandes dimensões.
Além das exigências ambientais, existe dificuldade para obter cascalho destinado à recuperação das estradas. O material precisa ser retirado de áreas autorizadas e nem todos os proprietários rurais aceitam disponibilizar cascalheiras.
Estradas são recuperadas por rotas
A Secretaria de Infraestrutura informou que ainda existem estradas que precisam ser levantadas, alargadas ou recuperadas. Entre as demandas mencionadas estão uma estrada na região do Seringal e outra próxima ao quilômetro 13.
Na Linha 47, uma equipe realizava, na época da entrevista, uma recuperação mais ampla. Conforme o secretário, aproximadamente 10 a 12 quilômetros já haviam recebido serviços considerados mais completos, iniciados desde a entrada da estrada.
O trabalho, porém, também depende da colaboração dos proprietários rurais. Dirceu explicou que algumas estradas precisam ser alargadas para suportar o trânsito atual, formado por bitrens, carretas transportando grãos, adubos e calcário, além dos veículos utilizados pelas empresas que trabalham com cavaco de madeira.
Em algumas propriedades, é necessário retirar ou recuar cercas para permitir a execução do serviço dentro da faixa pertencente à estrada. Segundo o secretário, nem todos os proprietários atendem rapidamente às solicitações, atrasando a continuidade do trabalho.
Outro problema ocorre quando saídas de água e caixas de contenção abertas pelas equipes são fechadas pelos proprietários. Sem espaço para escoar, a água retorna para a estrada e provoca erosões, buracos e atoleiros.
Estrada para São João continua entre as prioridades
A estrada dos 12 quilômetros, que dá acesso à comunidade São João, permanece entre as principais preocupações da administração municipal. A via registra trânsito intenso e possui pontos que precisam de elevação e melhoria no sistema de drenagem.
Dirceu informou que existem projetos relacionados à pavimentação da estrada, mas avaliou que o processo pode demorar em razão do calendário eleitoral e das limitações para liberação de recursos públicos durante determinados períodos.
Enquanto a pavimentação não avança, a Prefeitura pretende executar intervenções nos pontos considerados mais críticos, com levantamento da pista, abertura de desaguadores e melhoria da drenagem.
Crescimento do agronegócio aumenta pressão sobre as estradas
O secretário destacou que Porto dos Gaúchos ampliou significativamente sua produção agropecuária. Esse crescimento aumenta o número de veículos pesados nas estradas municipais e exige manutenção mais frequente.
A futura instalação e ampliação de grandes empreendimentos no município, entre eles a Empaer — citada na transcrição como “Empasa”, cuja denominação precisa ser confirmada pela administração municipal — também poderá aumentar a demanda sobre a infraestrutura viária.
Dirceu afirmou que o objetivo da Secretaria é manter as rotas em condições para que produtores pequenos, médios e grandes consigam retirar a produção e receber insumos. O trabalho também busca evitar desvios longos, que aumentam o consumo de combustível e o custo do transporte.
Programa Porteira Adentro atende pequenos produtores
A Secretaria de Infraestrutura participa do programa Porteira Adentro, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura. O programa permite que máquinas públicas executem serviços dentro das propriedades de pequenos produtores, conforme critérios e agendamento prévio.
Entre os equipamentos disponibilizados estão escavadeira hidráulica, pá-carregadeira, patrola e caminhões. Os serviços incluem recuperação de acessos, cascalhamento, construção de pequenos aterros, abertura de tanques e implantação de bueiros.
Conforme Dirceu, a procura é elevada e existe uma programação organizada pela Secretaria de Agricultura. Os produtores interessados devem solicitar o atendimento diretamente à pasta, para que os responsáveis realizem o agendamento e definam a ordem dos trabalhos.
Na avaliação do secretário, o programa permite atender propriedades que não teriam condições financeiras de contratar máquinas particulares. Além de melhorar os acessos, as ações podem facilitar a implantação de lavouras, o transporte da produção e a permanência das famílias no campo.
Máquinas são compartilhadas entre as secretarias
Parte dos equipamentos utilizados foi recebida por meio do Ministério da Agricultura. Para evitar que essas máquinas permaneçam paradas quando não estão atendendo ao Porteira Adentro, foi estabelecida uma parceria entre as secretarias de Agricultura e Infraestrutura.
Quando necessário, a Infraestrutura disponibiliza máquinas e caminhões para os pequenos produtores. Em contrapartida, equipamentos vinculados à Agricultura também podem ser utilizados em serviços emergenciais nas estradas municipais.
Durante o período seco, quando há melhores condições para executar movimentação de terra, cascalhamento e implantação de bueiros, o ritmo dos trabalhos aumenta. Em ocorrências emergenciais, servidores chegam a trabalhar aos sábados, domingos e durante o horário de almoço para liberar estradas ou recuperar pontes.
Ponte da Linha 47 foi recuperada rapidamente
Dirceu relatou uma ocorrência recente em uma ponte localizada na Linha 47. Uma das pranchas quebrou durante a tarde, comprometendo a passagem de veículos.
Após o problema ser comunicado, a Secretaria providenciou madeira e deslocou uma escavadeira e trabalhadores para o local. O reparo foi executado no dia seguinte, e a ponte foi liberada ainda durante o período da tarde.
O secretário informou que, sempre que uma estrada ou ponte precisa ser interditada, a Prefeitura procura avisar moradores e produtores. Ele pediu que os condutores respeitem a sinalização, pois a retirada ou destruição das placas pode colocar outras pessoas em risco, principalmente motoristas de bitrens e carretas que não possuem espaço suficiente para manobrar.
Mudanças climáticas e incêndios preocupam
As chuvas registradas durante o período que normalmente seria de seca contribuíram para dar umidade ao cascalho e melhorar a compactação das estradas. Ao mesmo tempo, a irregularidade climática dificulta o planejamento da Secretaria e preocupa produtores que dependem das condições adequadas para plantar.
Dirceu afirmou que a pasta procura manter equipamentos disponíveis para atender a emergências, embora não seja possível prever onde e quando ocorrerão chuvas intensas, rompimentos de bueiros ou danos em pontes.
Mesmo com algumas precipitações, Porto dos Gaúchos já registrou focos de incêndio em fazendas, sítios e na área urbana. O município não possui uma brigada municipal específica. Os atendimentos são realizados por servidores do urbanismo e da Infraestrutura, com auxílio de caminhões-pipa.
Existem caminhões-pipa distribuídos na sede de Porto dos Gaúchos, na comunidade São João e na região do quilômetro 25. Os mesmos veículos também são utilizados para molhar ruas e reduzir a poeira. Quando ocorre um incêndio, a rotina precisa ser reorganizada para que o equipamento seja deslocado ao local da emergência.
Coleta de lixo ganhará reforço
A coleta de resíduos domésticos funciona às segundas, quartas e sextas-feiras. Às terças e quintas-feiras, o caminhão também atende oficinas e estabelecimentos que geram materiais específicos. Aos sábados, são recolhidas folhas devidamente ensacadas pelos moradores.
Segundo o secretário, Porto dos Gaúchos recebeu mais um caminhão compactador. Com dois veículos disponíveis, a Prefeitura pretende reorganizar as rotas e ampliar o atendimento durante a semana.
Dirceu explicou que houve recentemente uma interrupção na coleta porque o caminhão apresentou problema mecânico. A peça solicitada chegou incorreta, prolongando o tempo necessário para o reparo.
O lixo doméstico coletado em Porto dos Gaúchos é encaminhado para aterro localizado em Novo Horizonte do Norte. No município também existe recolhimento de recicláveis e uma área destinada ao descarte de folhas e entulhos.
Separação incorreta prejudica reciclagem
O secretário pediu maior colaboração dos moradores na separação dos resíduos. Segundo ele, embora a maioria procure descartar corretamente, uma parcela da população ainda mistura lixo doméstico, recicláveis, folhas e entulhos.
Também foram identificados descartes às margens de estradas e em locais inadequados. No espaço disponibilizado pela Prefeitura, alguns moradores deixam os materiais logo na entrada, sem levá-los até a área indicada para cada tipo de resíduo.
A mistura dificulta o trabalho dos responsáveis pela reciclagem, reduz o aproveitamento dos materiais e aumenta a necessidade de máquinas e servidores para reorganizar o local.
Manutenção das máquinas depende de licitação
Outro desafio detalhado pelo secretário é a manutenção da frota municipal. A Prefeitura possui máquinas e caminhões de diferentes marcas e modelos, cujas peças nem sempre são compatíveis.
A Secretaria mantém no almoxarifado itens de uso previsível, como pneus, óleos, filtros e materiais de desgaste. No entanto, não é possível formar estoque de todas as peças, pois não há como antecipar qual componente apresentará defeito.
Dirceu citou o caso de um caminhão Volvo que estava parado havia mais de 20 dias à espera de uma peça que nem mesmo a fabricante possuía em estoque imediato. Depois da localização do componente, ainda foi necessário cumprir os procedimentos administrativos para aquisição.
Diferentemente de um proprietário particular, a Prefeitura não pode simplesmente comprar uma peça diretamente na oficina. É necessário fazer solicitação, lançar o pedido no sistema, observar contratos ou procedimentos de compra e aguardar a aprovação e a entrega.
Urbanismo atua na limpeza e recuperação das ruas
A Secretaria de Infraestrutura também é responsável por serviços urbanos, incluindo limpeza, varrição e reparo de buracos. A equipe é formada por servidores concursados e trabalhadores reeducandos.
Dirceu afirmou que a cidade se encontra organizada, embora reconheça que ainda existam demandas. Em alguns pontos onde não havia massa asfáltica disponível, buracos foram provisoriamente fechados com concreto.
O secretário defendeu que os trabalhadores tenham pausas para descanso e hidratação, especialmente durante períodos de calor intenso. Segundo ele, comentários sobre servidores parados por alguns minutos nem sempre levam em consideração o esforço físico realizado sob temperaturas elevadas.
Eventos promovidos no município também aumentam o volume de trabalho. Antes das festividades, as equipes auxiliam na organização dos espaços; após o encerramento, é necessário realizar a limpeza e recolher os resíduos.
Recursos limitados exigem planejamento
Ao tratar das perspectivas da Secretaria, Dirceu afirmou que existem projetos para estradas, pontes e outras melhorias. A execução, contudo, depende da disponibilidade de recursos próprios, de máquinas e do apoio dos governos estadual e federal.
Segundo o secretário, a Infraestrutura não recebe transferências regulares da mesma forma que áreas como Saúde e Educação. O município depende principalmente de recursos próprios, programas específicos, cessão de máquinas e eventuais repasses.
A redução ou interrupção de algumas receitas relacionadas ao setor agropecuário também interfere na capacidade de investimento. Por isso, cada nova frente de serviço é definida em conjunto com o prefeito Vanderlei de Abreu e o vice-prefeito, considerando as prioridades e os recursos disponíveis.
Dirceu reconheceu que a equipe não consegue atender todas as solicitações ao mesmo tempo. O objetivo, segundo ele, é evitar que as máquinas permaneçam apenas alguns dias em cada local sem concluir o trabalho. A preferência é finalizar cada rota antes de iniciar outra, exceto quando uma emergência exige o deslocamento dos equipamentos.
Ao encerrar a entrevista, o secretário agradeceu aos servidores da Infraestrutura, aos trabalhadores do urbanismo, aos reeducandos e aos profissionais que atuam nas estradas rurais. Ele destacou que a equipe é reduzida diante do volume de solicitações, mas permanece mobilizada para atender moradores, produtores, transporte escolar e demais serviços públicos.25

























































