O começo de uma revolução no campo: projeto iniciado em 2019 abriu caminho para milhares de pés de café em Juara, hoje conhecido como “Vale do Café”

Muito antes de Juara contabilizar cerca de 90 mil pés de café plantados e dezenas de produtores investindo na atividade, foi necessário acreditar que a cafeicultura poderia se tornar uma alternativa viável para a agricultura familiar da região. Essa história foi contada em detalhes pelo engenheiro agrônomo da EMPAER, Igor, durante entrevista concedida ao técnico do Indea, Kidney Franklin, colaborador do programa Tucunaré Rural, da Rádio Tucunaré 89,3 FM.

Segundo o agrônomo, a origem do projeto remonta aos anos de 2016 e 2017, quando o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar, passou a incentivar o fortalecimento da cadeia produtiva do café através do então chamado Procafé.

Naquele momento, o Estado identificou que a cultura possuía características ideais para a agricultura familiar. Diferentemente de outras atividades, o café permite a participação direta da família na condução da lavoura e possui um mercado consolidado nacional e internacionalmente, oferecendo maior segurança para quem produz.

A iniciativa ganhou força principalmente na região noroeste de Mato Grosso, influenciada pela experiência de agricultores vindos de Rondônia, estado que se tornou referência nacional na produção de café Conilon e Robusta. Muitos desses produtores perceberam que as condições climáticas e de solo da região também eram favoráveis ao cultivo.

Foi nesse cenário que nasceu o projeto em Juara.

A parceria entre a EMPAER e a Secretaria Municipal de Agronegócio tornou-se o ponto de partida para a implantação das primeiras lavouras comerciais do município. A missão era identificar agricultores interessados e oferecer suporte técnico para que a atividade pudesse se desenvolver de forma organizada.

Os primeiros passos ocorreram na região de Paranorte, onde produtores como Luciano Severiano, Clodoaldo, Pedro Belo e Assis decidiram apostar em uma cultura que ainda despertava dúvidas entre muitos agricultores.

Na época, era comum ouvir que “Juara não era terra de café”. A crença era baseada em experiências antigas com variedades de café arábica que não se adaptaram adequadamente às condições climáticas da região.

Mesmo diante das incertezas, os pioneiros seguiram em frente.

Com apoio técnico da EMPAER, foram produzidas as primeiras mudas e iniciado o processo de implantação das lavouras em 2019. O acompanhamento incluiu orientação sobre escolha das áreas, preparo do solo, produção de mudas, irrigação e manejo inicial.

Pouco tempo depois, novos agricultores passaram a demonstrar interesse pelo projeto.

Nos assentamentos PA Vale do Arinos e Japuranã, nomes como Gilberto, Elias, Fabrício, Zezinho, Oscar Rafalski e Cezinha Mariano passaram a integrar o grupo de produtores que acreditaram no potencial da atividade. Em muitas propriedades, as próprias mudas foram produzidas localmente com acompanhamento dos técnicos da EMPAER.

O sucesso das primeiras lavouras se transformou no principal argumento para atrair novos produtores. À medida que os resultados começaram a aparecer, o café passou a ser visto não mais como uma experiência, mas como uma oportunidade concreta de geração de renda.

De acordo com Igor, os materiais genéticos disponíveis atualmente são muito diferentes daqueles utilizados décadas atrás. As novas variedades apresentam maior resistência ao estresse hídrico, melhor adaptação ao clima regional e elevado potencial produtivo, fatores que ajudaram a quebrar antigos paradigmas sobre a cultura.

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que o trabalho desenvolvido desde 2019 criou as bases para o crescimento da cafeicultura em Juara. O que começou com poucos produtores e pequenas áreas experimentais transformou-se em uma atividade que hoje desperta interesse crescente em diversas comunidades rurais do município.

Mais do que plantar café, os pioneiros ajudaram a construir uma nova alternativa econômica para a agricultura familiar, abrindo caminho para uma atividade que poderá gerar renda, empregos e desenvolvimento para o campo juarense durante muitos anos.

 

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

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