Raiva bovina segue sob controle em Juara, mas Indea reforça alerta aos produtores

A raiva animal continua sendo uma das enfermidades que mais preocupam os órgãos de defesa sanitária devido ao seu alto potencial de mortalidade e à capacidade de transmissão para os seres humanos. O tema foi destaque no programa Tucunaré Rural, apresentado por Aldo Jorge, em entrevista conduzida pelo técnico do Indea de Juara, Kidney Franklin, com a médica veterinária Ana Luiza.

Segundo a especialista, a situação da raiva no município de Juara encontra-se atualmente sob controle, resultado do trabalho permanente de monitoramento e da crescente conscientização dos produtores rurais.

“Hoje consideramos a situação controlada porque os produtores estão mais atentos e procuram o Indea sempre que percebem qualquer alteração de comportamento em seus animais”, destacou a veterinária.

Último foco em Juara causou prejuízo ao produtor

Durante a entrevista, Ana Luiza relembrou o último caso confirmado da doença no município, registrado em janeiro de 2025.

Na ocasião, uma égua apresentou sintomas compatíveis com a enfermidade e morreu. Cerca de duas semanas depois, o potro da propriedade também não resistiu. O caso foi acompanhado pelos técnicos do Indea, que realizaram a coleta de material e confirmaram o diagnóstico laboratorial.

O episódio serviu de alerta para os produtores da região sobre a importância da rápida comunicação de qualquer suspeita aos órgãos de defesa sanitária.

Morcego hematófago é o principal transmissor

Um dos pontos mais importantes abordados na entrevista foi o papel dos morcegos hematófagos na disseminação da doença.

A veterinária explicou que o principal transmissor da raiva no meio rural é o Desmodus rotundus, conhecido popularmente como morcego-vampiro.

Apesar disso, ela esclareceu que nem todo morcego está contaminado.

“A presença de sugaduras não significa necessariamente que exista raiva na propriedade, mas representa um importante sinal de alerta”, explicou.

Quando ataques de morcegos passam a ocorrer com frequência no rebanho, o produtor deve adotar medidas preventivas, como a vacinação dos animais e o controle dos morcegos por meio de produtos específicos autorizados.

Vacinação preventiva pode evitar prejuízos

Embora a vacinação contra a raiva não seja obrigatória em todas as regiões, Ana Luiza destacou que ela é altamente recomendada para propriedades onde há registros frequentes de ataques de morcegos.

A profissional ressaltou que o custo da vacina é relativamente baixo quando comparado ao prejuízo provocado pela perda de animais.

“É uma medida simples, acessível e que oferece proteção importante para o rebanho”, afirmou.

Nunca manipule morcegos encontrados doentes

Outro alerta importante foi direcionado aos moradores da zona rural e urbana.

A veterinária orientou que morcegos encontrados durante o dia, caídos ou apresentando comportamento anormal não devem ser tocados ou capturados pela população.

O contato direto com esses animais pode representar risco de contaminação.

“A recomendação é acionar imediatamente o Indea ou os órgãos competentes para que façam a coleta utilizando equipamentos de proteção adequados”, explicou.

Sintomas exigem atenção imediata

Nos bovinos e equinos, a doença costuma provocar alterações comportamentais que podem ser observadas pelo produtor.

Entre os principais sinais estão:

• Isolamento do rebanho;

• Dificuldade para caminhar;

• Andar cambaleante;

• Salivação excessiva;

• Língua para fora da boca;

• Perda de equilíbrio;

• Quedas frequentes;

• Movimentos involuntários das patas;

• Pressão da cabeça contra cercas, troncos ou palanques.

Segundo Ana Luiza, qualquer alteração suspeita deve ser comunicada imediatamente ao Indea para avaliação técnica.

Tempo pode salvar vidas

Ao encerrar a entrevista, a veterinária reforçou que a observação diária dos animais é a principal ferramenta de prevenção.

“A boa administração é aquela em que o produtor acompanha seus animais todos os dias. Quanto mais cedo uma suspeita é identificada, mais rápida é a resposta dos órgãos de defesa sanitária”, afirmou.

Ela destacou ainda que, após uma notificação, o Indea possui prazo de até 12 horas para realizar o atendimento, inclusive em finais de semana e feriados, devido à gravidade da doença.

“A raiva é uma doença praticamente 100% letal. Por isso, qualquer suspeita deve ser tratada com máxima seriedade.”

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que o trabalho conjunto entre produtores rurais e o Indea tem sido decisivo para manter a doença sob controle em Juara, mas a vigilância permanente continua sendo indispensável para proteger os rebanhos e a população.

Fonte: Rádio Tucunare e Acesse Ntícias

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