A Crise de Mão de Obra Qualificada em Juara: comodismo, despreparo e desinteresse não preenchem Vagas Disponíveis

A Rádio Tucunaré tem observado um fenômeno crescente em sua programação: a quantidade de anúncios e solicitações de emprego disparou, refletindo uma necessidade urgente dos empresários locais por novos funcionários.

Essa demanda, no entanto, não está sendo atendida, como revela a intensa movimentação em grupos de WhatsApp e outras redes sociais, onde pedidos de mão de obra são constantes. Para entender melhor esse cenário, nossa reportagem procurou Vanilza de Oliveira, coordenadora do Sine em Juara, que trouxe esclarecimentos importantes sobre o tema.

Vanilza de Oliveira destacou que, apesar da procura constante por parte dos empresários, há uma escassez significativa de mão de obra qualificada na região. “Temos procuras, empresários que vêm e fazem a procura de candidatos. Mas, infelizmente, não chega a dez currículos no nosso banco de dados,” afirmou Vanilza. Ela explicou que, mesmo incentivando os candidatos a cadastrarem seus currículos, a quantidade e a qualidade dos profissionais disponíveis não atendem às necessidades do mercado.

Mao de obra sem qualificação

A coordenadora ressaltou que muitos candidatos não possuem as qualificações específicas exigidas pelas empresas. “Hoje mesmo, veio uma empresária que precisa de um candidato com experiência em Corel Draw (programa de edição de imagem) e em operar uma máquina a laser. Nós não conseguimos oferecer um candidato com esse perfil,” disse. Esse exemplo ilustra a dificuldade de encontrar profissionais capacitados para funções técnicas e especializadas, um problema recorrente em várias áreas, como vendas, onde é necessário experiência ou um perfil específico.

Além da falta de qualificação, Vanilza apontou outro fator crítico: a falta de interesse dos próprios candidatos em se qualificar. “O curso profissionalizante é oferecido de forma gratuita na nossa cidade pelo SENAR, mas muitas vezes é difícil completar o quadro de candidatos para participar do curso,” revelou. Segundo ela, a falta de motivação dos candidatos em buscar melhorias para se posicionar melhor no mercado de trabalho é um grande obstáculo.

Mão de obra Instável

Outro ponto levantado por Vanilza é a falta de persistência dos candidatos quando conseguem uma oportunidade de emprego. “Muitas vezes, a pessoa fica 30 dias, 15 dias e já sai. O custo para o empresário contratar é alto, e eles investem em treinamento, mas frequentemente a pessoa não se esforça e acaba saindo,” lamentou. Esse comportamento desmotiva os empregadores, que se veem obrigados a reiniciar o processo de seleção e treinamento, gerando custos adicionais e atrasos na operação de seus negócios.

Mão de obra Oportunista: Trabalhar pouco e ganhar muito

Vanilza também observou que a primeira preocupação dos candidatos é o salário, em vez de se interessar pela função ou as responsabilidades do cargo. “A pessoa chega e a primeira pergunta que faz é sobre o salário, sem se preocupar com o que vai desempenhar,” comentou, refletindo uma visão imediatista que compromete a relação empregador-empregado e o desenvolvimento profissional dos trabalhadores.

Para além das questões de qualificação e interesse dos candidatos, Vanilza de Oliveira também chamou atenção para a necessidade de um esforço conjunto entre empresas, instituições de ensino e os próprios trabalhadores. Segundo ela, é fundamental criar uma cultura de valorização da qualificação profissional desde cedo, incentivando jovens e adultos a buscarem constantemente melhorias em suas habilidades e conhecimentos.

A coordenadora do Sine destacou que, embora haja cursos disponíveis, é preciso aumentar a divulgação e acessibilidade desses programas para atrair mais participantes. “Precisamos que a comunidade se conscientize da importância de se qualificar. Os cursos existem, mas falta adesão. Talvez falte uma maior sensibilização sobre como a qualificação pode abrir portas e transformar vidas,” afirmou Vanilza. Ela sugere campanhas educativas e parcerias entre empresas e instituições de ensino para promover a qualificação profissional de maneira mais efetiva.

Vanilza também mencionou a importância de programas de estágio e aprendiz, que poderiam ser uma ponte entre o mercado de trabalho e os jovens em busca de experiência. “Estágios e programas de aprendiz são excelentes oportunidades para jovens desenvolverem habilidades práticas e entenderem as exigências do mercado. As empresas também se beneficiam, pois podem formar profissionais de acordo com suas necessidades,” explicou.

Além disso, Vanilza enfatizou a necessidade de desenvolver soft skills, como comprometimento, persistência e ética de trabalho, que são tão importantes quanto as habilidades técnicas. “O que vemos hoje é uma falta de persistência e comprometimento. É preciso que os candidatos entendam que o sucesso profissional não vem de imediato e requer esforço contínuo e dedicação,” ressaltou. Ela sugeriu que empresas poderiam implementar programas de mentoria para ajudar novos funcionários a se adaptarem e crescerem em seus papéis.

A situação atual, segundo Vanilza, não é insuperável, mas exige uma mudança de mentalidade e um esforço colaborativo para ser revertida. “Precisamos criar um ambiente onde tanto empregadores quanto candidatos estejam comprometidos com o desenvolvimento mútuo. A qualificação profissional deve ser vista como um investimento necessário, e não como uma opção,” concluiu.

A Rádio Tucunaré continuará acompanhando esse tema e promovendo discussões que ajudem a comunidade de Juara a superar esses desafios. Fica claro que a solução para a crise de mão de obra qualificada passa por um esforço conjunto de todos os envolvidos, desde empresários e instituições de ensino até os próprios trabalhadores, em busca de um mercado de trabalho mais equilibrado e próspero.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

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