Atendimento psicológico gratuito pelo celular já está disponível para mulheres de Juara e do Vale do Arinos; veja quem tem direito

Programa do Ministério da Saúde oferece até dez sessões com psicólogas, por videochamada, para mulheres que sofreram violência e familiares que cuidam de pessoas com deficiência, autismo ou doenças raras. Não é necessário encaminhamento médico nem comprovação da situação para solicitar o atendimento.

Mulheres de Juara, Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Tabaporã e demais municípios do Vale do Arinos já podem solicitar atendimento psicológico gratuito pelo celular, sem precisar viajar para outra cidade ou enfrentar filas para conseguir o primeiro acolhimento.

O serviço é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do programa Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, que disponibiliza consultas por videochamada com psicólogas capacitadas.

A reportagem da Rádio Tucunaré e do site Acesse Notícias apurou que o Ministério da Saúde divulgou, no dia 27 de outubro de 2026, novas orientações para facilitar o acesso ao programa, disponível em todo o território nacional.

Moradoras do Vale do Arinos não dependem de adesão das prefeituras

Uma informação importante é que o programa Acolhe Mais não exige que as prefeituras ou secretarias municipais de Saúde estejam cadastradas para disponibilizar o atendimento.

Trata-se de um serviço nacional oferecido diretamente pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, mulheres de Juara, Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Tabaporã e de qualquer outro município brasileiro podem solicitar gratuitamente o acompanhamento psicológico, independentemente da participação da administração municipal.

Basta preencher os requisitos do programa, acessar o Meu SUS Digital com a conta Gov.br e realizar a solicitação. O acompanhamento é realizado por videochamada, sem necessidade de deslocamento ou encaminhamento médico.

A iniciativa atende mulheres a partir dos 18 anos que vivem ou já viveram situações de violência, além de mães, avós, tias, irmãs e outras familiares que exercem atividades de cuidado não remunerado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

Uma das principais vantagens é que a própria mulher pode solicitar o acompanhamento pelo aplicativo Meu SUS Digital, sem precisar de autorização médica ou encaminhamento de uma unidade de saúde.

Quem tem direito ao atendimento gratuito?

O programa contempla dois grupos principais de mulheres.

1. Mulheres que sofrem ou sofreram violência

O atendimento está disponível para mulheres que enfrentam ou enfrentaram situações de violência, incluindo agressões físicas, ameaças, humilhações, violência psicológica e outras formas de abuso.

Mesmo que a situação tenha ocorrido no passado, a mulher pode procurar ajuda para lidar com os efeitos emocionais da experiência.

Não é necessário apresentar boletim de ocorrência nem documento comprovando a violência para iniciar a solicitação.

Durante as consultas, a psicóloga poderá ajudar a identificar situações de risco, compreender as dificuldades enfrentadas e orientar sobre serviços de proteção e continuidade do tratamento.

2. Mulheres que cuidam de familiares com deficiência ou doenças específicas

O segundo grupo inclui mulheres que dedicam parte significativa de suas vidas ao cuidado de familiares que precisam de acompanhamento constante.

Entre as situações contempladas estão os cuidados com pessoas que possuem:

  • Transtorno do Espectro Autista (TEA).

  • Deficiência física, intelectual ou outras deficiências.

  • Transtornos do neurodesenvolvimento.

  • Doenças raras que exigem cuidados especiais.

O benefício não se limita às mães. Avós, tias, irmãs e outras mulheres da família que desempenham atividades de cuidado também podem solicitar acompanhamento.

O programa reconhece que cuidar de outra pessoa pode envolver sobrecarga emocional, cansaço, isolamento e dificuldades para conciliar trabalho, família e vida pessoal.

Como solicitar o atendimento? Veja o passo a passo

O processo é gratuito e pode ser realizado pelo próprio celular, utilizando o aplicativo Meu SUS Digital.

Primeiro passo: abra o aplicativo Meu SUS Digital. Quem ainda não possui o programa pode instalá-lo gratuitamente pela loja de aplicativos do celular.

Segundo passo: entre utilizando seu CPF e a senha da conta Gov.br.

Terceiro passo: na página inicial, procure a opção Miniapps.

Quarto passo: selecione o serviço Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres.

Quinto passo: o aplicativo encaminhará a usuária para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Sexto passo: preencha o cadastro e informe se está vivendo ou já viveu uma situação de violência ou se é responsável pelo cuidado de algum familiar com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.

Sétimo passo: finalize a solicitação.

Depois disso, a equipe responsável entrará em contato em até 24 horas para que a mulher escolha a data e o horário da consulta.

O prazo de 24 horas é para o contato de agendamento, não necessariamente para a realização da primeira sessão.

O serviço também pode ser acessado pelo portal Meu SUS Digital.

Como funcionam as consultas?

O atendimento é realizado por videochamada com psicólogas qualificadas, permitindo que a mulher converse com a profissional sem precisar se deslocar até um consultório.

Cada participante pode realizar até dez sessões de acompanhamento psicológico, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando houver necessidade, conforme a avaliação profissional.

As consultas são oferecidas nos seguintes horários:

  • Segunda a sexta-feira: das 8h às 20h.

  • Sábados: das 8h às 14h.

Após o agendamento, a participante recebe lembretes e, no dia da consulta, um link para entrar na videochamada.

Para participar, é importante ter acesso à internet, um celular ou outro equipamento compatível e, preferencialmente, um ambiente reservado onde possa conversar com privacidade.

O atendimento é feito por profissionais mulheres, preparadas para oferecer acolhimento e escuta qualificada.

Mães de crianças autistas também podem receber acompanhamento

Um dos aspectos importantes do programa é a inclusão das chamadas mães atípicas, expressão frequentemente utilizada para se referir às mulheres que cuidam de filhos com deficiência, autismo ou outras condições que exigem atenção diferenciada.

Essas mães muitas vezes enfrentam uma rotina intensa de consultas, terapias, acompanhamento escolar e cuidados diários.

Em alguns casos, a dedicação permanente aos filhos dificulta até mesmo a busca por atendimento para a própria saúde.

Com a possibilidade de realizar sessões psicológicas pela internet, o Ministério da Saúde pretende facilitar o acesso dessas mulheres ao acompanhamento profissional.

O serviço não é destinado apenas às mães de crianças pequenas. Mulheres que cuidam de familiares adultos com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras também podem estar entre as beneficiárias.

Mulheres que sofreram violência não precisam fazer denúncia para receber ajuda

Outra informação importante é que o atendimento psicológico não depende da apresentação de denúncia contra o agressor.

A mulher pode procurar acolhimento mesmo quando ainda não conseguiu denunciar a violência ou quando a situação aconteceu anteriormente.

Na primeira consulta, a profissional buscará compreender as necessidades apresentadas, avaliar possíveis riscos e identificar a rede de apoio disponível.

Quando necessário, a participante poderá receber orientações sobre outros serviços de saúde e proteção.

O programa também permite encaminhamentos para continuidade do atendimento presencial, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e outras unidades do SUS.

Programa pode ajudar mulheres que moram longe dos centros de atendimento

Para municípios do interior de Mato Grosso, como os do Vale do Arinos, o atendimento remoto pode representar uma alternativa importante.

Mulheres que vivem em comunidades rurais, propriedades agrícolas ou localidades afastadas da área urbana nem sempre conseguem se deslocar com facilidade para consultas presenciais.

Além das distâncias, há dificuldades relacionadas ao transporte, compromissos familiares e disponibilidade de tempo.

O Ministério da Saúde informou que o Acolhe Mais possui capacidade para oferecer até 100 mil teleatendimentos por mês em todo o Brasil.

O serviço começou como projeto-piloto em março de 2026, nas cidades do Recife e do Rio de Janeiro, e foi ampliado nacionalmente em agosto.

Assim, a oferta não depende da instalação de uma unidade específica do programa em cada município.

E quem não consegue acessar o aplicativo?

Mulheres com dificuldades para utilizar o Meu SUS Digital podem procurar uma Unidade Básica de Saúde para pedir orientações sobre os serviços de saúde mental disponíveis.

O atendimento psicológico presencial também continua sendo oferecido pelo SUS, conforme a organização da rede de saúde de cada município.

O programa Acolhe Mais é uma possibilidade adicional de acompanhamento, mas não substitui os serviços presenciais quando eles são necessários.

Em situações de violência, existem outros canais de proteção

O Ministério da Saúde alerta que o atendimento psicológico por videochamada não deve ser utilizado como substituto dos serviços de emergência.

Mulheres ameaçadas ou em risco imediato devem procurar proteção.

Polícia Militar – 190: situações de perigo imediato.

SAMU – 192: emergências médicas.

Central de Atendimento à Mulher – 180: orientações, informações sobre direitos e encaminhamento de denúncias de violência. O serviço funciona gratuitamente, 24 horas por dia.

Cuidar de quem cuida também é uma questão de saúde

A ampliação do atendimento psicológico gratuito representa uma oportunidade para mulheres que, por diferentes razões, acabam deixando a própria saúde emocional em segundo plano.

Seja pela experiência de violência, seja pela responsabilidade contínua de cuidar de um familiar, o sofrimento psicológico merece atenção e acompanhamento adequado.

Para as moradoras de Juara e dos demais municípios do Vale do Arinos que se enquadram nos critérios do programa, a orientação é acessar o Meu SUS Digital e conhecer o Acolhe Mais.

O atendimento é gratuito, não exige encaminhamento médico e pode começar com uma solicitação feita diretamente pelo celular.

Fonte: Rádio Tucunaré e do site Acesse Notícias

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