Situações atendidas inicialmente como uma emergência clínica podem esconder casos de violência contra a mulher. Identificar esses sinais e evitar que uma vítima passe despercebida durante uma ocorrência está entre os objetivos de uma capacitação realizada com integrantes do 3º Pelotão Independente do Corpo de Bombeiros Militar de Juara.
A palestra foi ministrada pela 1º Sargento Cleidiane Lanusa de Lima Ferreira, integrante do Comitê de Proteção às Mulheres Vítimas de Violência, dentro das ações desenvolvidas durante o Agosto Lilás, mês voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A capacitação busca preparar os militares para reconhecer situações que nem sempre aparecem de maneira evidente durante o primeiro contato com a vítima. A meta apresentada é alcançar 100% do efetivo, ampliando a preparação dos profissionais para esse tipo de ocorrência.
Um dos pontos trabalhados foi justamente a necessidade de observar além do motivo inicial que levou ao acionamento dos bombeiros. Uma mulher pode, por exemplo, receber atendimento por uma situação aparentemente clínica e, durante a ocorrência, apresentar sinais de que também esteja enfrentando algum tipo de violência.
A preparação envolve a identificação de situações relacionadas à violência doméstica, sexual e patrimonial, inclusive quando esses indícios não são percebidos imediatamente. Segundo Cleidiane, o objetivo é também oferecer um atendimento de qualidade e reduzir a possibilidade de revitimização da mulher.
Ao falar sobre o cenário atual, a sargento avaliou que hoje existe uma maior quantidade de denúncias. Para ela, esse movimento pode estar relacionado à mudança de comportamento das próprias mulheres, que passaram a procurar ajuda e denunciar situações que anteriormente poderiam permanecer escondidas.
Por isso, na avaliação apresentada por Cleidiane, o crescimento das denúncias não significa necessariamente que a violência tenha aumentado na mesma proporção, mas pode indicar também uma maior disposição das vítimas para romper o silêncio.
Outro alerta está nos primeiros sinais da violência. Uma situação de abuso não começa necessariamente com uma agressão física grave. Comportamentos agressivos e outras formas de violência podem aparecer antes e evoluir ao longo do tempo.
A orientação é que mulheres que percebam esses sinais procurem ajuda e não deixem que a situação avance. Durante a entrevista, Cleidiane citou a possibilidade de buscar apoio de profissionais e de serviços disponíveis no município, especialmente quando a vítima sente vergonha ou dificuldade para falar sobre aquilo que está enfrentando.
A identificação precoce também ganha importância no trabalho dos bombeiros porque esses profissionais podem ter contato com mulheres em momentos de vulnerabilidade, inclusive em ocorrências que inicialmente não chegam à corporação como casos de violência doméstica.
Para Cleidiane, reconhecer os primeiros sinais e buscar ajuda ainda no início são medidas importantes para interromper o ciclo de violência antes que a situação evolua para consequências mais graves, incluindo o feminicídio.

























































