O Banco de Sangue de Juara atravessa 2026 com uma situação que exige atenção. Responsável pelo atendimento de Juara, Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte e Tabaporã, a unidade tem mantido os estoques entre níveis críticos e estáveis, sem conseguir alcançar uma margem considerada confortável para atender a região.
Em entrevista à Rádio Tucunaré, o responsável técnico pelo Banco de Sangue de Juara, Almir Rogério dos Santos, explicou que as doações começaram o ano em ritmo abaixo do esperado e, mesmo em agosto, ainda não apresentaram a recuperação necessária.
Em uma escala de 1 a 5, Almir situa o estoque atual entre 2 e 3. Entre os tipos sanguíneos que enfrentam faltas recorrentes estão O positivo, A positivo, O negativo e A negativo. A situação chama atenção especialmente porque O positivo e A positivo estão entre as tipagens mais presentes na população.
Outro dado ajuda a dimensionar o desafio. Segundo Almir, apenas cerca de 0,8% da população do Vale do Arinos doa sangue, índice que ele compara aos 2% apontados como referência para manter os bancos abastecidos.
“Hoje, no Vale do Arinos, nós temos 0,8% da população que é doadora, ou seja, nem 50% do que é preconizado pelo Ministério da Saúde”, afirmou.
Para manter uma entrada mais regular de bolsas, seriam necessárias, segundo a estimativa apresentada pelo responsável técnico, aproximadamente cinco pessoas realizando doações por dia. Na prática, porém, a unidade ainda não consegue manter essa frequência de forma constante.
A baixa adesão faz com que o Banco de Sangue realize campanhas e busque novos doadores também nos demais municípios atendidos. Embora os tipos com fator RH negativo mereçam atenção especial por serem menos frequentes na população, Almir ressalta que a necessidade não se limita a uma tipagem.
“Qual é o sangue melhor? Não existe. Existe qual sangue tem disponível. Então, nós precisamos que todos os tipos de sangue venham fazer a doação”, destacou.
O cenário ganha ainda mais importância porque o estoque precisa estar preparado antes que uma emergência aconteça. Acidentes, cirurgias e outras situações podem provocar uma demanda inesperada, tornando a regularidade das doações fundamental para que as bolsas estejam disponíveis quando um paciente precisar.
Ao final do alerta, o responsável técnico reforçou que a mudança desse cenário depende da participação da própria população do Vale do Arinos. Para ele, a doação precisa acontecer de forma contínua, e não apenas quando familiares ou conhecidos necessitam de sangue.

























































