Projetos capazes de se movimentar, mecanismos hidráulicos e ideias inspiradas na robótica deram forma a uma mostra realizada por alunos do 6º ano da Escola Militar. A atividade colocou os estudantes diante do desafio de planejar, construir, testar e encontrar soluções para fazer cada trabalho funcionar.
A iniciativa envolveu as turmas do 6º ano A e B e nasceu do interesse demonstrado por alguns alunos que já produziam projetos em casa. A proposta foi ampliada para as duas turmas, permitindo que os estudantes explorassem a criatividade e colocassem diferentes conhecimentos em prática.
Um dos principais objetivos foi estimular a atenção. Na avaliação da professora de matemática Ana Paula, o envolvimento frequente com telas e redes sociais tem reduzido a concentração dos alunos durante as atividades escolares.
O trabalho também envolveu planejamento, organização de etapas e resolução de problemas. Essas habilidades estão relacionadas ao pensamento computacional, conteúdo que já faz parte do currículo de matemática e dos materiais utilizados com os estudantes.
Para desenvolver os primeiros projetos, os alunos receberam uma revista de robótica com orientações e exemplos. Depois, puderam pesquisar outras ideias na internet, procurar alternativas e realizar adaptações de acordo com os recursos disponíveis.
Papelão, latas e outros materiais encontrados em casa foram utilizados nas construções. Com criatividade, os estudantes transformaram esses itens em partes de mecanismos relacionados à robótica, à hidráulica e a diferentes formas de movimento.
Apesar de a expectativa inicial estar mais voltada à construção de robôs, os trabalhos seguiram caminhos variados. Muitos estudantes escolheram desenvolver mecanismos hidráulicos, ampliando a diversidade das produções apresentadas.
A construção passou por pesquisas, testes, erros e novas tentativas. O processo exigiu dedicação e persistência para superar dificuldades e encontrar maneiras de fazer os projetos funcionarem.
As famílias participaram diretamente de várias etapas. Pais e responsáveis ajudaram na montagem, acompanharam as pesquisas e buscaram alternativas para colocar os mecanismos em funcionamento. Em alguns casos, os estudantes foram levados a oficinas mecânicas para encontrar soluções para os projetos.
Ana Paula destacou que a participação familiar é essencial para a aprendizagem, pois faz com que o aluno se sinta acompanhado e apoiado. “Alguém me acompanha, alguém me aplaude, alguém me apoia. E, se eu falhar, tenho em quem me apoiar também”, afirmou.
Os alunos se dedicaram à atividade durante cerca de um mês. Nesse período, o apoio recebido dentro de casa contribuiu para manter o interesse até a conclusão dos trabalhos.
O reaproveitamento dos materiais também trouxe uma reflexão sobre preservação ambiental, embora esse não fosse o foco principal da proposta. Objetos que seriam descartados passaram a ser vistos como recursos capazes de ganhar novas funções, reduzindo a produção de lixo e o uso de novas matérias-primas.
O resultado superou as expectativas iniciais, especialmente pelo envolvimento alcançado entre os estudantes e seus familiares. “Eles foram muito além do esperado, muito além do planejado. O trabalho adquiriu uma proporção muito maior”, destacou a professora.
Ao verem suas ideias transformadas em objetos capazes de funcionar e se movimentar, os alunos tiveram a criatividade valorizada. “Eles conseguiram fazer com as próprias mãos, sentir esse gostinho do cientista que fez acontecer.”
Mais do que apresentar projetos, a atividade aproximou os estudantes do conhecimento científico e mostrou novas possibilidades para o futuro. Como ressaltou Ana Paula, “a escola mostra que existe essa porta, existe esse lugar por onde eles podem andar, que é o caminho da ciência”.

























































