El Niño: meteorologista prevê cenário mais favorável de chuvas para oeste de MT; Vale do Arinos pode ser beneficiado

Luiz Carlos Molion afirma que oeste de Mato Grosso poderá ter chuvas regulares desde setembro, enquanto leste do estado corre maior risco de atraso na estação chuvosa

A aproximação do período de plantio da soja aumenta a atenção dos produtores rurais sobre o comportamento das chuvas em Mato Grosso. Para a região do Vale do Arinos, localizada no noroeste do estado, uma análise apresentada pelo meteorologista Luiz Carlos Molion traz uma perspectiva inicialmente mais favorável para o começo da nova temporada agrícola.

Em entrevista divulgada pelo Canal Rural Mato Grosso, Molion explicou que os efeitos do clima não deverão ocorrer de maneira uniforme em todo o território mato-grossense. Segundo ele, há possibilidade de condições melhores na porção oeste do estado, enquanto municípios do leste poderão enfrentar atraso maior para a consolidação da estação das chuvas.

“O que a gente espera é que a parte oeste do Mato Grosso não tenha grandes problemas, chuvas normais”, afirmou o meteorologista. Na avaliação apresentada por Molion, as precipitações no oeste poderão ocorrer regularmente, possivelmente já a partir de setembro. Metereomkv.txt

A declaração merece atenção dos produtores de Juara, Porto dos Gaúchos, Novo Horizonte do Norte, Tabaporã e demais áreas do Vale do Arinos, por estarem situados no noroeste de Mato Grosso.

A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que Molion fez as declarações durante recente passagem por Cuiabá, onde participou de palestra na Aprosoja Mato Grosso abordando a influência do El Niño sobre as chuvas e as condições climáticas no estado.

Diferença entre oeste e leste chama atenção

Molion ressalta que Mato Grosso possui dimensões continentais e condições climáticas muito diferentes entre suas regiões. Por isso, segundo ele, não é adequado tratar todo o estado como se tivesse o mesmo comportamento de chuva.

Enquanto o oeste teria perspectiva de precipitações mais regulares, o especialista prevê maior preocupação na região leste.

De acordo com Molion, no leste mato-grossense a estação chuvosa poderá não se estabelecer normalmente durante outubro. Nesse cenário, as precipitações mais regulares poderiam se firmar somente depois da metade de novembro.

Para o oeste, entretanto, sua avaliação é diferente.

“Nesse ano em particular, acho que o oeste não vai ter problema nenhum, vai chover regularmente, talvez até desde setembro”, declarou. Metereomkv.txt

Essa diferença pode ser importante para a implantação da safra 2026/27, principalmente porque o momento em que as primeiras chuvas se tornam regulares interfere diretamente na decisão do produtor de iniciar ou não a semeadura.

Plantio da soja começa em setembro

Em Mato Grosso, o plantio da soja da safra 2026/27 poderá começar em 7 de setembro e seguirá até 7 de janeiro de 2027, conforme destaca o Canal Rural Mato Grosso.

A estimativa apresentada pelo veículo é de que o estado cultive aproximadamente 13,046 milhões de hectares, crescimento de 0,25% em relação à temporada anterior.

Apesar do pequeno aumento da área plantada, a produtividade média inicialmente projetada é de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43% em comparação com as 66,29 sacas por hectare registradas na safra 2025/26.

O clima será, portanto, uma das principais variáveis acompanhadas pelos produtores.

Mesmo que ocorram chuvas isoladas em setembro, agronomicamente é necessário observar se haverá umidade suficiente no solo e continuidade das precipitações. Uma chuva isolada não significa necessariamente o estabelecimento definitivo do período chuvoso.

Janeiro, fevereiro e março podem ter mais chuva

Outro ponto importante da avaliação de Molion é o comportamento esperado para o início de 2027.

O meteorologista acredita que janeiro, fevereiro e março poderão apresentar chuvas acima da média em grande parte de Mato Grosso. Metereomkv.txt

Caso esse cenário se confirme, poderá haver boa disponibilidade hídrica durante parte importante do desenvolvimento das lavouras de verão. Por outro lado, volumes elevados ou concentração excessiva das precipitações também exigem acompanhamento, especialmente durante operações de campo e posteriormente na colheita.

El Niño deve ganhar muita força

Dados oficiais ajudam a dimensionar por que produtores e especialistas estão acompanhando esta safra com tanta atenção.

O Instituto Nacional de Meteorologia informou em agosto que, segundo projeções da NOAA, existe probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte durante os trimestres setembro-outubro-novembro, outubro-novembro-dezembro e novembro-dezembro-janeiro.

A NOAA apontou ainda 69% de possibilidade de o episódio alcançar intensidade superior aos demais eventos registrados desde 1950, considerando o índice utilizado na previsão.

O INMET ressalta, entretanto, que o El Niño não provoca os mesmos efeitos em todas as regiões. A distribuição das chuvas depende também da circulação atmosférica e da interação com outros sistemas climáticos.

Essa ressalva coincide justamente com o alerta de Molion para Mato Grosso: devido à extensão territorial do estado, uma mesma temporada pode trazer comportamento bastante diferente entre leste, oeste, norte e sul.

Setembro já apresenta sinal interessante

A previsão mensal divulgada pelo INMET em 31 de agosto aponta que áreas do Centro-Oeste poderão registrar precipitações acima da média histórica durante setembro.

Ao mesmo tempo, temperaturas elevadas continuam sendo preocupação. Para Mato Grosso, o instituto prevê temperaturas acima da climatologia principalmente na faixa centro-leste do estado, podendo chegar a desvios de até 1,5°C acima da média.

Para os produtores do Vale do Arinos, portanto, setembro será um mês decisivo para observar se as primeiras chuvas previstas realmente terão frequência suficiente para recompor a umidade do solo e permitir o avanço seguro da semeadura.

O que isso significa para o Vale do Arinos

A avaliação apresentada por Luiz Carlos Molion é uma perspectiva relativamente positiva para o noroeste de Mato Grosso, mas não deve ser interpretada como garantia de que todas as propriedades terão chuva regular desde setembro.

Chuvas podem variar consideravelmente mesmo entre municípios próximos e até entre propriedades de uma mesma região.

Para quem produz soja, milho ou trabalha com pecuária em Juara e municípios vizinhos, o principal indicativo será acompanhar a regularização das precipitações, e não apenas a ocorrência da primeira chuva.

Se a previsão apresentada por Molion se confirmar e o oeste mato-grossense realmente tiver uma estação chuvosa mais regular, o Vale do Arinos poderá entrar na safra 2026/27 em situação mais favorável do que áreas localizadas no leste de Mato Grosso.

Ainda assim, diante da intensidade prevista para o El Niño, o acompanhamento das atualizações meteorológicas durante setembro, outubro e novembro será fundamental.

Fonte: acessenoticias/radio Tucunare

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