Estiagem reduz produção de hortaliças e aumenta desafios para produtores rurais de Juara

Manter a produção de hortaliças durante o período de estiagem exige planejamento, irrigação constante e investimentos maiores por parte dos agricultores. Em Juara, onde a seca já faz parte do calendário climático nesta época do ano, produtores enfrentam queda na produtividade e aumento dos custos para garantir alimentos de qualidade à população.

A avaliação é do presidente do Mercado do Produtor Rural de Juara, Osvaldo Goulart, conhecido como “Pingo”, que falou à Rádio Tucunaré sobre os impactos da estiagem na agricultura familiar e na comercialização de verduras, legumes e hortaliças produzidos no município.

Segundo ele, embora a irrigação ajude a manter as plantações, ela não substitui os benefícios da chuva natural.

“A seca depende muito da irrigação. Nunca é igual à chuva. A planta amarela, não aguenta muito tempo e produz menos”, explicou.

Produção diminui e custos aumentam

Com menos água disponível, praticamente todas as culturas de hortaliças sofrem algum tipo de impacto. O presidente do Mercado do Produtor Rural afirma que verduras, legumes e hortaliças apresentam redução na produção durante os meses mais secos.

“É quase geral, praticamente 100%. Verduras, pepino, legumes… tudo acaba sendo afetado e a produção sai mais devagar”, afirmou.

Além da redução na produtividade, o produtor precisa investir mais para manter as lavouras, principalmente com sistemas de irrigação, consumo de energia elétrica e combustível utilizados para bombear água.

Esses custos extras acabam pressionando os preços em parte do mercado.

Alguns produtos já registram aumento

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos agricultores, Osvaldo afirma que procura manter os preços praticados em seu espaço de comercialização.

“Eu mesmo estou mantendo os preços. Não subi nada. Mas muita gente aumentou alguns produtos, como a alface. A irrigação gasta energia, gasta óleo e isso acaba obrigando alguns produtores a reajustarem os preços”, explicou.

A variação de preços depende das condições de cada propriedade e dos custos necessários para manter a produção durante a estiagem.

Consumo permanece estável

Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos produtores, o movimento no Mercado do Produtor Rural segue dentro da normalidade.

Segundo Osvaldo, alimentos continuam sendo itens essenciais e a procura permanece constante ao longo do ano.

“O povo precisa comer. Todo mundo tem que comer. Está vendendo normalmente”, resumiu.

Embora o fluxo de consumidores continue estável, ele observa que o volume geral de vendas apresenta uma pequena redução quando comparado a outros períodos.

“O movimento caiu um pouco, mas sempre vende. Devagarzinho nós vamos longe”, comentou.

Reservatórios ajudam a enfrentar a seca

Para evitar prejuízos ainda maiores, muitos produtores investem na reserva de água antes do período mais crítico da estiagem.

Tanques, represas e sistemas de armazenamento fazem parte do planejamento das propriedades para garantir irrigação caso a chuva demore a retornar.

“Temos tanques, represas e vamos nos preparando para manter água caso a chuva demore. A água também pode faltar”, destacou.

Esse planejamento tem sido uma das principais estratégias adotadas pelos agricultores para reduzir perdas e manter parte da produção durante os meses mais secos.

Qualidade continua sendo prioridade

Mesmo diante das dificuldades provocadas pela estiagem, Osvaldo afirma que os produtores mantêm o compromisso de oferecer alimentos de boa qualidade aos consumidores.

Segundo ele, quando algum produto não apresenta condições adequadas para comercialização, a mercadoria é descartada.

“A gente sempre procura manter a qualidade. Quando o produto não está bom, ele é descartado”, afirmou.

Irrigação e preparo do solo fazem diferença

Para quem pretende manter ou ampliar a produção durante a seca, o presidente do Mercado do Produtor Rural destaca que investir na irrigação e na preparação do solo é fundamental.

Segundo ele, a estiagem exige cuidados maiores com adubação e manejo das lavouras para compensar a ausência das chuvas.

“Para aumentar a produção é preciso investir em irrigação e preparar bem a terra. Na época da chuva tudo produz melhor. Já na seca é necessário um cuidado muito maior para conseguir colher”, explicou.

Pragas diminuem durante a estiagem

Ao contrário do que muitos imaginam, a seca não tem provocado aumento significativo de pragas nas lavouras.

De acordo com Osvaldo, durante esse período a incidência costuma até diminuir.

“Na seca as pragas diminuem. Até agora não tivemos aumento significativo”, concluiu.

Enquanto os produtores seguem enfrentando os desafios da estiagem, o planejamento hídrico, a irrigação e o manejo adequado das lavouras continuam sendo fundamentais para garantir o abastecimento do Mercado do Produtor Rural de Juara e oferecer alimentos frescos à população durante os meses de menor volume de chuvas.

Fonte: acessenoticias/radio Tucunare

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