A deputada estadual Janaína Riva (MDB) publicou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira, 6 de agosto, afirmando que a denúncia apresentada por ela em 2025 contribuiu para a investigação que resultou na Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em Mato Grosso.
A operação investiga suspeitas de desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Entre os alvos mencionados nas reportagens sobre o caso estão o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, ambos do União Brasil.
No vídeo, Janaína afirmou que foi a primeira parlamentar a denunciar possíveis irregularidades na destinação dos recursos. Segundo ela, as informações foram encaminhadas à Polícia Federal, ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual.
“A operação que está nas ruas agora é fruto de uma denúncia que eu fiz no ano passado”, declarou a deputada. Janaína também afirmou que sofreu perseguições políticas depois de levar o caso aos órgãos de investigação e fiscalização.
A parlamentar voltou a questionar como os R$ 308 milhões, relacionados à restituição de valores para a Oi, teriam sido direcionados a fundos de investimentos. Segundo ela, o dinheiro deveria permanecer a serviço da população, financiando áreas como saúde, educação e segurança pública.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que a denúncia de Janaína foi apresentada publicamente em maio de 2025. Na ocasião, ela já mencionava os fundos Royal Capital e Lotte Word e solicitava uma investigação sobre o caminho percorrido pelos recursos.
Conforme informações divulgadas pelo G1, os dois fundos teriam sido constituídos em 22 de fevereiro de 2024, menos de dois meses antes da assinatura do acordo, realizada em 10 de abril daquele ano. Cada fundo teria recebido aproximadamente R$ 154 milhões, totalizando os R$ 308 milhões investigados.
A Polícia Federal informou oficialmente que a Operação Heritage apura a possível utilização de uma estrutura financeira formada por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas. O objetivo, segundo os investigadores, teria sido ocultar ou dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.
Ao todo, foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal 25 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinadas a quebra dos sigilos bancário e fiscal, o bloqueio e a indisponibilidade de bens no valor aproximado de R$ 316 milhões, além do recolhimento de passaportes e da proibição de contato entre investigados.
A PF apura, em tese, possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Apesar da afirmação de Janaína, o comunicado oficial da Polícia Federal não atribui diretamente o início da investigação à denúncia feita pela deputada. A instituição informou apenas que as apurações tiveram origem na análise do acordo celebrado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia.
Em nota divulgada após a operação, Mauro Mendes afirmou que confia nas investigações da Polícia Federal, que colaborará com as autoridades e que acredita no esclarecimento completo do caso. Até a publicação das primeiras reportagens, a assessoria de Fábio Garcia ainda não havia apresentado posicionamento.
A Procuradoria-Geral do Estado também informou que pretende colaborar com as investigações e declarou confiar que as circunstâncias envolvendo o acordo serão esclarecidas.
A Operação Heritage encontra-se em fase de investigação. As medidas cumpridas e a inclusão de pessoas entre os alvos não representam condenação, e as responsabilidades individuais ainda serão analisadas pelas autoridades competentes.

























































