A cidade de Juara recebeu nesta semana uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para um estudo inédito na região. O trabalho busca identificar as espécies de morcegos presentes na área urbana e verificar quais patógenos — como vírus, bactérias e fungos — podem estar circulando nesses animais.
Em entrevista à Rádio Tucunaré, a bióloga da Vigilância Ambiental, Arlete Assunção, explicou que a pesquisa faz parte de um levantamento realizado em municípios das regiões do Vale do Arinos e Teles Pires e traz um diferencial importante: ao contrário da maioria dos estudos, que costumam ocorrer apenas em áreas rurais, desta vez as capturas estão sendo realizadas dentro do perímetro urbano.
Segundo Arlete, a equipe passou por mais de 18 municípios e esteve em Juara na noite desta terça-feira (4), quando foram capturados nove morcegos durante o trabalho de campo.
Dos animais capturados, dois eram machos e sete fêmeas. As fêmeas estavam prenhas e, por esse motivo, não passaram por necropsia. Nelas foram coletadas amostras de material genético para análise. Já os machos tiveram órgãos internos coletados para exames laboratoriais, que irão identificar possíveis agentes causadores de doenças.
Todo o material foi encaminhado para análise e, posteriormente, os resultados serão repassados ao município.
Pesquisa ajuda na prevenção de doenças
De acordo com a bióloga, conhecer as espécies que vivem na área urbana e os microrganismos presentes nesses animais é uma informação importante para a saúde pública.
Isso porque algumas doenças estão associadas a determinadas espécies de morcegos. Saber quais animais circulam dentro da cidade permite que a Vigilância Ambiental acompanhe possíveis riscos e fortaleça ações preventivas.
“Todo mundo, uma hora ou outra, entra um morcego dentro de casa. O morcego está presente no ambiente urbano. Saber se esses animais estão contaminados com algum patógeno ajuda na prevenção de doenças”, explicou Arlete.
A pesquisadora ressaltou, porém, que a presença de morcegos na cidade não significa que eles estejam doentes. O objetivo do estudo é justamente conhecer melhor as espécies e verificar, por meio de análises laboratoriais, se existe circulação de agentes que mereçam acompanhamento pelas autoridades de saúde.
Equipe de Juara também recebe capacitação
Além das informações que serão produzidas pela pesquisa, o trabalho deixou outro legado para o município: a capacitação da equipe da Vigilância Ambiental.
Segundo Arlete, os profissionais acompanharam todas as etapas das capturas e aprenderam procedimentos específicos para atuação em situações envolvendo morcegos com suspeita de doenças.
Ela explicou que a Vigilância Ambiental não realiza captura de morcegos que vivem normalmente na natureza. A atuação ocorre apenas quando um animal apresenta comportamento alterado, sinais de doença ou situações que possam representar risco à saúde pública.
Nesses casos, a equipe faz a coleta do animal e encaminha o material para análise laboratorial em Cuiabá.
Para Arlete, acompanhar o trabalho da UFMT permitiu que os servidores adquirissem experiência prática e estivessem mais preparados para agir quando esse tipo de ocorrência acontecer em Juara.
























































