O acesso ao crédito rural segue sendo uma das principais ferramentas para o crescimento e modernização das propriedades no Vale do Arinos, mas ainda encontra obstáculos importantes, principalmente relacionados à documentação fundiária e ambiental.
O tema foi amplamente debatido no programa “Acrivale em Ação“, exibido no último dia 6 pela Rádio Tucunaré, com a participação de engenheiros agrônomos Rose e Pedro e médico veterinário JOão Augusto Morelli também diretor da Acrivale.
Durante a entrevista, os profissionais destacaram que o crédito rural não deve ser visto como endividamento, mas como um instrumento de investimento, desde que utilizado com planejamento técnico. Segundo eles, muitos produtores deixam de evoluir por receio de buscar financiamento, mesmo quando possuem capacidade produtiva e potencial de crescimento.
Outro entrave recorrente na região são as áreas em processo de usucapião. Mesmo que o produtor esteja há anos na terra e tenha atividade consolidada, enquanto o imóvel não estiver regularizado judicialmente e registrado, não há possibilidade de liberação de crédito, já que as cédulas bancárias precisam ser formalizadas em cartório.
A regularização ambiental também foi apontada como fator decisivo. Propriedades com embargos, autos de infração ou pendências junto à Sema ou ao Ibama ficam automaticamente impedidas de acessar recursos de crédito controlado. Segundo os especialistas, esse tipo de restrição é rigorosamente monitorado pelo Banco Central, o que impede qualquer flexibilização por parte dos bancos.
Além da situação da propriedade, a condição do produtor como pessoa física também influencia. Crimes ambientais vinculados ao CPF do requerente inviabilizam o financiamento, enquanto pendências fiscais podem, em alguns casos, ser negociadas ou ajustadas, dependendo da situação.
Os participantes ressaltaram ainda que o crédito pode ser contratado tanto por pessoa física quanto por pessoa jurídica, mas que, no cenário atual, as taxas mais vantajosas estão concentradas nos financiamentos em nome da pessoa física. Empresas rurais e holdings também podem acessar crédito, porém com juros mais elevados.
Ao final, os técnicos reforçaram que a melhor forma de evitar frustrações é buscar orientação antes de procurar o banco. Escritórios especializados em projetos fazem a triagem documental, avaliam riscos e só encaminham propostas com reais chances de aprovação. Segundo eles, projetos bem elaborados reduzem significativamente as negativas e dão mais segurança ao produtor.
Um dos principais pontos abordados foi a documentação exigida pelas instituições financeiras. Para ter acesso a qualquer linha de crédito rural, o produtor precisa comprovar que exerce atividade agropecuária, estar em dia com suas obrigações fiscais e, sobretudo, possuir a propriedade devidamente regularizada. Imóveis que ainda se encontram apenas com contrato de compra e venda, sem escritura registrada em cartório, não conseguem acessar financiamentos.
A primeira Feira Técnica de Juara e região será realizada de 6 a 9 de maio, em Juara, dentro da programação da Arinos Show Agro, com atendimento ao público durante todo o dia. No local, produtores rurais terão acesso direto a empresas de planejamento rural, escritórios técnicos, entidades bancárias e cooperativas de crédito, que estarão disponíveis para orientar, tirar dúvidas e apresentar linhas de financiamento, investimentos e soluções voltadas ao desenvolvimento das propriedades.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que a falta de informação ainda é um dos maiores obstáculos para o produtor rural acessar políticas de crédito disponíveis, mesmo em um momento em que há diversas linhas ativas para custeio, investimento e modernização no campo.




































































