Juara é incluída em política federal para borracha extrativista, mas preço mínimo levanta debate sobre viabilidade

Uma publicação do Diário Oficial da União (DOU) incluiu oficialmente Juara entre os municípios atendidos por uma política federal de garantia de preços para produtos extrativistas em 2026. A medida consta no Comunicado MOC nº 3, de 16 de janeiro de 2026, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O comunicado atualiza normas do Manual de Operações da Conab (MOC) e estabelece regras de preço mínimo, subvenção direta e financiamento para diversos produtos extrativistas. No caso de Juara, o município aparece de forma expressa na lista de cidades do norte de Mato Grosso abrangidas pelas Normas Específicas da Borracha Natural (Cernambi) – Safra 2026, o que garante acesso às políticas da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

Com a nova regra, extrativistas, associações e cooperativas de Juara passam a ter direito a um preço mínimo fixado em R$ 7,96 por quilo da borracha natural extrativa durante todo o ano de 2026. Quando o valor de mercado ficar abaixo desse patamar, o produtor pode solicitar a Subvenção Direta ao Produtor Extrativista (SDPE), recebendo do governo federal a diferença entre o preço praticado e o mínimo estabelecido.

No entanto, a reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que, embora o valor represente uma proteção importante, ele gera debate no setor. Dados de mercado mostram que, no Brasil, a borracha natural tem sido comercializada internamente, em média, entre R$ 4,50 e R$ 5,00 por quilo, especialmente para borracha seca com teor padrão, o que faz com que o preço mínimo de R$ 7,96 seja superior ao valor normalmente pago ao produtor, funcionando como um colchão de proteção de renda.

Por outro lado, quando comparado ao cenário internacional, o valor mínimo brasileiro fica abaixo das referências externas. Indicadores econômicos apontam que o preço de importação da borracha natural, influenciado pelo mercado internacional e pelo câmbio, tem girado acima de R$ 12,00 por quilo, o que evidencia uma diferença significativa entre o preço protegido ao extrativista brasileiro e o valor praticado fora do país.

Estudos técnicos e análises do setor extrativista também indicam que, para garantir plena viabilidade econômica da atividade, cobrindo custos de coleta, transporte, mão de obra e conservação ambiental, o preço ideal da borracha extrativa estaria em patamares ainda mais elevados, acima do mínimo atualmente fixado. Isso reforça que a política pública atua mais como instrumento de proteção social do que como garantia de alta rentabilidade.

Além da subvenção, o comunicado prevê acesso a financiamento para estocagem dos produtos extrativistas, permitindo que os produtores aguardem melhores condições de mercado antes da venda. As regras têm vigência de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026, não criando novos impostos ou obrigações, mas assegurando direitos e instrumentos de apoio.

A inclusão de Juara reafirma a presença do município nas políticas federais voltadas ao extrativismo sustentável, mas também evidencia os desafios enfrentados por quem depende dessa atividade para geração de renda no interior de Mato Grosso.

Fonte: Rádio Tucunaré e Acesse Notícias

Parceiros e Clientes

Entre no grupo Rádio Tucunaré no Whatsapp e receba notícias em tempo real.