Criminosos utilizaram dados de uma empresa verdadeira para oferecer vagas de motorista e exigiram pagamentos via Pix dos candidatos. Secretaria de Desenvolvimento Econômico alerta a população.
Pessoas que procuravam uma oportunidade de emprego em Juara foram vítimas de um golpe aplicado por estelionatários que se passaram por representantes de uma empresa e utilizaram o Sistema Nacional de Emprego (Sine) para divulgar falsas oportunidades de trabalho.
O caso veio à tona nesta terça-feira, 20 de outubro, quando candidatos compareceram à unidade do Sine de Juara para uma etapa presencial do processo seletivo, mas descobriram que haviam sido enganados.
A reportagem da Rádio Tucunaré e do site Acesse Notícias apurou os detalhes do ocorrido em entrevistas com a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Graciela Mendes, e a coordenadora do Sine de Juara, Vanessa Oliveira.
Segundo Vanessa, os golpistas entraram em contato com o Sine apresentando-se como representantes de uma empresa de fora do município, que supostamente prestaria serviços na região utilizando caminhões e precisava contratar motoristas.
Para cadastrar as vagas, os responsáveis preencheram a ficha exigida pelo Sine, apresentaram dados empresariais e informaram um CNPJ válido, pertencente a uma empresa ativa. Toda a documentação e os procedimentos exigidos para a abertura das vagas foram cumpridos, o que inicialmente não levantou suspeitas.
O processo seletivo começaria com entrevistas pela internet. Os candidatos aprovados nessa primeira etapa deveriam comparecer posteriormente ao Sine para concluir a contratação presencialmente.
Foi durante os contatos individuais com os candidatos que o golpe aconteceu.
Os supostos recrutadores informaram que, além da Carteira Nacional de Habilitação na categoria D, os motoristas precisariam apresentar o curso MOPP, exigido para determinadas atividades de transporte de produtos perigosos.
Aos candidatos que não possuíam essa qualificação, os criminosos ofereceram uma suposta facilidade: mediante pagamento, providenciariam a regularização do curso e sua inclusão na habilitação, sem a necessidade de realizar a capacitação normalmente exigida.
Acreditando que seriam contratados, pelo menos três candidatos efetuaram transferências via Pix aos golpistas.
Durante a entrevista, a secretária Graciela Mendes relatou pagamentos de diferentes valores, incluindo quantias de aproximadamente R$ 250, R$ 300, R$ 400 e até R$ 600.
A fraude foi descoberta quando os candidatos compareceram ao Sine para a continuidade do processo seletivo. Os representantes da suposta empresa não apareceram e, ao tomar conhecimento das cobranças, a equipe identificou os indícios de golpe.
Empresa verdadeira teve seus dados utilizados indevidamente
Um detalhe que chamou a atenção foi a utilização de informações de uma empresa que realmente existe.
Conforme explicou a secretária Graciela Mendes, os criminosos utilizaram o nome e os dados dessa empresa para dar credibilidade à oferta de trabalho.
A coordenadora Vanessa Oliveira ressaltou que o responsável pelo contato conhecia os procedimentos utilizados pelo Sine e cumpriu todas as exigências administrativas para o cadastramento da vaga.
Ela explicou que, embora o CNPJ seja consultado e sua situação verificada, isso não garante que a pessoa responsável pelo contato seja, de fato, representante da empresa informada.
A coordenadora também alertou que situações semelhantes vêm sendo relatadas por outras unidades do Sine em Mato Grosso, demonstrando que esse tipo de fraude não é um caso isolado.
Sine procurou a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência
Assim que a fraude foi identificada, representantes do Sine acompanharam um dos candidatos até a delegacia da Polícia Civil, onde foi registrado um boletim de ocorrência.
A unidade também adotou providências para denunciar o número de WhatsApp utilizado pelos criminosos. Os demais candidatos foram orientados a tomar medidas semelhantes.
A secretária Graciela Mendes lamentou especialmente o fato de as vítimas serem pessoas que já enfrentam dificuldades na busca por uma colocação no mercado de trabalho e acabaram sofrendo prejuízos financeiros.
Ela também reconheceu que a recuperação dos valores transferidos poderá ser difícil.
Secretaria reforça que vagas de emprego são gratuitas
O principal alerta das duas entrevistadas é que nenhuma vaga de emprego disponibilizada pelo Sine exige pagamento para participação no processo seletivo.
A secretária Graciela Mendes foi enfática ao explicar que nem o Sine nem as empresas contratantes devem cobrar valores dos candidatos como condição para uma contratação.
Vanilza Oliveira orientou que, caso algum candidato receba uma solicitação de pagamento relacionada a cursos, documentação, taxas ou qualquer outra exigência vinculada à vaga, procure imediatamente a unidade do Sine antes de realizar qualquer transferência.
A orientação também vale para contatos feitos por telefone ou WhatsApp, mesmo quando o interlocutor utiliza o nome de uma empresa conhecida ou apresenta documentos aparentemente regulares.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico reforça que os trabalhadores podem procurar diretamente a equipe do Sine de Juara para esclarecer dúvidas e verificar a legitimidade das informações recebidas.
O alerta é claro: quem procura emprego não deve transferir dinheiro a supostos recrutadores para garantir uma vaga ou participar de uma seleção.

























































