Novo julgamento sobre assassinato de Mauro Vanalli que ocorreu em 2014 em Tabaporã está marcado para este ano

Mais de uma década após o assassinato de Mauro Vanalli, a Justiça de Mato Grosso definiu que o novo julgamento do caso continuará sendo realizado em Tabaporã. A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que recusou o pedido da defesa para transferir o júri popular para outro município.

Com isso, a nova sessão do Tribunal do Júri segue prevista para ocorrer no dia 9 de julho, na própria comarca onde o crime aconteceu.

Os advogados do acusado defendiam que a repercussão do caso ao longo dos anos poderia influenciar o julgamento. Entre os argumentos apresentados estavam o fato de vítima e réu serem pessoas conhecidas na cidade, além da alegação de possível pressão popular e limitações estruturais no local escolhido para a sessão.

A defesa também apontou preocupação com o número reduzido de jurados disponíveis na comarca e questionou a realização do júri na Câmara Municipal, utilizada em razão do espaço limitado no fórum local.

Ao votar pela rejeição do pedido, o relator Rui Ramos Ribeiro afirmou que a transferência de um júri só deve ocorrer em situações excepcionais e devidamente comprovadas. Segundo o desembargador, não houve demonstração concreta de risco à imparcialidade dos jurados ou à segurança da sessão.

O magistrado ressaltou ainda que, em municípios menores, é comum que as partes envolvidas sejam conhecidas da comunidade, situação que, isoladamente, não impede a realização do julgamento no local dos fatos.

Outro aspecto considerado pelo tribunal foi o tempo decorrido desde o crime. Para os desembargadores, os mais de dez anos transcorridos desde o homicídio reduzem eventual impacto emocional do caso na população local.

Conforme informações do processo, o esquema de segurança para a realização do júri contará com apoio policial, e o uso da Câmara Municipal para sessões do Tribunal do Júri já ocorre há anos na comarca sem registros de incidentes.

O homicídio aconteceu em setembro de 2015, na Comunidade São Cristóvão, em Tabaporã. De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, Mauro Vanalli foi surpreendido por disparos de arma de fogo enquanto estava reunido com moradores da comunidade.

Durante o andamento do processo, o acusado admitiu ter cometido o crime e declarou que agiu motivado por vingança, atribuindo à vítima responsabilidade pela morte de seu filho em um acidente ocorrido anos antes.

O Ministério Público sustenta que o assassinato ocorreu em circunstâncias que dificultaram qualquer possibilidade de defesa da vítima. A denúncia também considera a idade de Mauro Vanalli, que tinha mais de 60 anos na época dos fatos.

Em julgamento anterior, o réu chegou a ser condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. Posteriormente, porém, a condenação foi anulada pelo TJMT, que determinou a realização de um novo júri após identificar inconsistências entre parte da decisão dos jurados e os elementos apresentados durante o processo.

Fonte: Redação/acessenoticias/radiotucunare

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